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Maceió,
Nº 4227
Desastre ambiental

Investigação da Ufal pode apontar novos suspeito de derramar óleo

Foto de satélite obtida por pesquisadores mostra mancha no mar antes da passagem do Bouboulina

Por Da Redação | Edição do dia 07/11/2019

Matéria atualizada em 07/11/2019 às 06h34

Uma foto de satélite encontrada pelo Laboratório de Análise e Processamento de Imagens de Satélites (Lapis) da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) revela um mancha em forma de rastro no litoral, 40 km ao norte de São Miguel do Gostoso (RN), em trajetória similar à do petroleiro Bouboulina, apontado pelo governo brasileiro como principal suspeito pelo crime. Segundo o cientista Humberto Barbosa, entretanto, o rastro escuro de 85km aparece antes de o navio grego passar pela rota.

De acordo com reportagem do jornal O Globo, de autoria do jornalista Rafael Garcia, a descoberta levou o pesquisador a buscar um outro suspeito para o derramamento de óleo no Nordeste. Desde setembro, o grupo do Lapis está vasculhando bancos de dados de sensoriamento remoto atrás de sinais do derramamento. Barbosa disse a O Globo que a imagem já estava em suas mãos havia duas semanas, mas o grupo não quis divulgá-la antes com medo de induzir a conclusões precipitadas. Após a investigação da empresa HEX apontar o Bouboulina como culpado, porém, o cientista decidiu verificar o registro de transponder do sinal do navio grego pela região (a informação que o próprio GPS do navio transmite sobre sua rota), e notou que ela não se encaixava na imagem de satélite que havia garimpado. A empesa Delta Tankers afirma que o Brasil investiga outras quatro embarcações da empresa pelo vazamento. Em nota, a Marinha negou ontem a informação e disse ter acionado a Autoridade Marítima da Grécia no dia 12 de outubro, quase três semanas antes da divulgação da suspeita sobre o Bouboulina pela PF. A imagem obtida pelo Lapis foi feita por um sensor do satélite europeu Sentinel-1A. O dispositivo enxerga variações sutis de altitude, como as próprias ondas do mar, e propriedades elétricas dos líquidos, que distinguem, por exemplo, água salgada de óleo. A mancha apareceu parcialmente numa imagem de 24 de julho, mas o Bouboulina só passou naquela área em 26 de julho.

NAVIOS

Mais quatro navios de bandeira grega, além do Bouboulina, da empresa Delta Tankers, são alvo da investigação que a Marinha do Brasil e a Polícia Federal (PF) realizam para tentar identificar os responsáveis pelo derrame de óleo cru que, desde o fim de agosto, atingiu o litoral dos nove estados do Nordeste (Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe).

Oficialmente, a Marinha não revela os nomes das cinco embarcações a respeito das quais pediu informações às autoridades marítimas da Grécia, mas, em nota, a Delta Tankers, responsável pelo Boubolina, revelou tratar-se dos navios-tanques Maran Apollo e Maran Libra (da Maran Tankers), Minerva Alexandra (Minerva Marine) e do Cap Pembroke (Euronav), além do Bouboulina. Na mesma nota, a Delta Tankers informa que recebeu a notificação da Marinha brasileira somente nesta terça-feira (5). A empresa diz ainda que, no documento entregue pelo Ministério de Assuntos Marítimos da Grécia, os cinco navios gregos são tratados como suspeitos de derramamento do óleo que polui praias, mangues e a foz, ou desembocaduras, de rios na costa do Nordeste. A Delta Tankers nega ter qualquer relação com o óleo encontrado no litoral nordestino e garante que pode comprovar a regularidade de suas operações. A empresa grega afirma que inspecionou os registros gravados por câmeras e sensores existentes no interior do Boubolina e não encontrou nenhum indício de que parte do produto que estava sendo transportado vazou. “Este material será compartilhado de bom grado com as autoridades brasileiras, caso entrem em contato com a empresa nesta investigação. Até agora, esse contato não foi feito”, afirmou a empresa no comunicado divulgado ontem.

Investigação da Marinha e da Polícia Federal tenta identificar responsáveis pelo derrame de óleo no litoral nordestino
Investigação da Marinha e da Polícia Federal tenta identificar responsáveis pelo derrame de óleo no litoral nordestino - Foto: Agência Brasil
 



TRINTA SUSPEITOS

A Marinha informou à Agência Brasil que o pedido para notificação dos cinco navios de bandeira grega foi apresentado às autoridades da Grécia no dia 12 de outubro. Segundo a Marinha, as investigações, feitas em conjunto com a Polícia Federal, com o apoio de instituições nacionais e estrangeiras, identificou 30 navios-tanque de várias nacionalidades que navegaram próximo à costa brasileira, na região de onde o óleo pode ter se espalhado. Segundo o Centro de Hidrografia da Marinha, esse ponto inicial fica cerca de 733 quilômetros a leste do estado da Paraíba. Dos 30 navios-tanques sob investigação, o Bouboulina é apontado como o principal suspeito pelo provável derramamento de óleo. Os investigadores afirmam que, após carregar petróleo bruto na Venezuela, a embarcação grega contornou a costa nordestina brasileira e seguiu viagem rumo a Cingapura e à Malásia.

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