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Nº 4227
Jaraguá

"Rapariga desconhecida" terá nova placa

Um verdadeiro acontecimento está previsto para a tarde desta sexta-feira (8) na Rua Sá e Albuquerque, no bairro do Jaraguá. É que a placa da ‘rapariga desconhecida’ será reinstalada em seu devido lugar, pertinho do popular Beco da Rapariga. Há anos a chap

Por patricia mendonca | Edição do dia 08/11/2019

Matéria atualizada em 08/11/2019 às 00h01

Placa em homenagem à “rapariga desconhecida” será reinstalada nesta sexta-feira, em Jaraguá
Placa em homenagem à “rapariga desconhecida” será reinstalada nesta sexta-feira, em Jaraguá | Thiago Prado

Um verdadeiro acontecimento está previsto para a tarde desta sexta-feira (8) na Rua Sá e Albuquerque, no bairro do Jaraguá. É que a placa da ‘rapariga desconhecida’ será reinstalada em seu devido lugar, pertinho do popular Beco da Rapariga. Há anos a chapa de metal — em homenagem às mulheres que movimentaram a vida boêmia naquele lugar durante 1900 a 1969, no século XX — foi alvo de intolerância, tendo sido arrancada por religiosos. A história é a seguinte: passados os ‘anos ouros’, período de efervescência no comércio, cultura e populacional do Jaraguá, um grupo nomeado de Confraria dos Sardinhas, formado por frequentadores, boêmios, intelectuais e, parte deles, moradores do bairro instalaram uma placa em homenagem às prostitutas que passaram cerca de 70 anos fazendo história e conservado, involuntariamente, arquitetura local. Porém a placa ficava na parte externa de um dos prédios da Sá e Albuquerque que, posteriormente, se tornou uma igreja. “Os religiosos da igreja Assembleia de Deus alugaram a casa e se acharam no direito de tirar a placa que instalamos. Mas agora a casa é de uma forrozeria, então nós fomos falar com a dona do estabelecimento sobre a possibilidade da reinstalação e ela ficou vibrante. A própria mandou fazer a placa e nós vamos reinaugurar nesta sexta-feira com direito a forró, brega e às músicas que embalaram as noite do Jaraguá durante o século passado; tudo ao vivo”, disse Carlito Lima, homem que entre suas ocupações, conta com paixão histórias do bairro onde nasceu e cresceu — o Jaraguá. Não é coincidência o fato de a empresária que está apoiando a causa conhecer bem a famosa placa; Juliana Montenegro — dona do Êta Pêga Forrozeria — também nasceu, cresceu e hoje, ela e a família, são os únicos moradores da emblemática Rua Sá e Albuquerque. “Nasci e fui criada neste bairro, sou apaixonada por este lugar. Eu já sabia da existência da placa e, como admiradora deste local que sou, senti falta dela. Afinal, a placa representa muitas histórias que aqui ocorreram”, pontuou a empresária. “O que me motivou para a reinstalação foi, principalmente, a intolerância dos que se dizem religiosos; mas também foi pela representatividade da mesma para a história deste lugar; pelo meu interesse e luta pela revitalização do Jaraguá; e, em especial, pelo amor que sinto por aqui”, disse Juliana Montenegro, cheia de orgulho. Embalam a festa da reposição da placa os cantores Pinóquio do Acordeon e Alisson Cunha. “ÀS PROSTITUTAS CONSERVARAM O BAIRRO” Apesar de o Jaraguá não ter sido apenas um lugar de cabarés e prostituição — situação que durou apenas algumas décadas no bairro centenário — esta é a fama que até hoje o lugar carrega e não é para menos, afinal, o local era considerado um dos mais agradáveis, movimentados e disputados de Maceió. Inimaginável hoje para o cenário o qual hoje se encontra, o local tinha a Praia da Avenida e o Riacho Salgadinho limpos, moradores nas portas das casas, músicas, festas e segurança. No entanto, de acordo com o Carlito Lima, o cenário começou a mudar quando o governador em meados da década de 70’ determinou que todas as boates saíssem daquele bairro e fossem para o Canaã “aí começaram a derrubar os casarões”, lembrou Carlito. “Eu, Zélia Maia Nobre, Pierre e Solange Chalita e outros fizemos um movimento cobrando do governador o tombamento do Jaraguá e assim o foi feito. Mas antes que isso acontecesse o bairro foi bastante deteriorado, prédios incríveis foram derrubados para a construção de prédios mais modernistas”, explicou Carlito, alertando que para construir ali, tem que preservar a fachada, entre outras medidas de conservação. Hoje o bairro é um patrimônio arquitetônico e histórico de Alagoas, que muito ainda sofre com esquecimento e abandono das gestões públicas; o que acaba resultando na população, que também não se sente pertencente nem dona àquele lugar. No entanto, Jaraguá está ganhando ‘vida’ novamente; nos últimos dias tem estado cheio de gente, de arte e de cultura.

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