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Cidades

Amor durante a pandemia: quando o distanciamento é apenas físico

Mesmo sem o contato presencial, relacionamentos se adaptam e ficam mais fortes

Por william makaisy | Edição do dia 23/05/2020

Matéria atualizada em 22/05/2020 às 22h33

| Cortesia à Gazeta de Alagoas

Coração acelerado, respiração ofegante e borboletas no estômago, todos os sintomas de um só diagnóstico; o amor. Mesmo em época de pandemia e quarentena os casais alagoanos mostram que o amor é capaz de superar o distanciamento físico e os unir cada vez mais. Seja através das mídias digitais, ou através das lembranças e sentimentos bons que viveram juntos.

A chegada do novo coronavírus mudou as formas de se relacionar no mundo todo. Os brasileiros, ou mais especificamente os alagoanos, são pessoas com uma certa tendência ao contato físico e gostam de um acolhimento mais aconchegante, que pode ser resumido em abraços e beijos, contudo, a quarentena cria uma nova forma de convívio, aquela onde a comunicação se dá através do meios tecnológicos para não colocar em risco aqueles que se amam. Entretanto, mesmo afastados, os apaixonados de Alagoas nunca estiveram tão juntos. 

A palavra ‘distanciamento’, apesar de denotar a separação, para os casais alagoanos, o distanciamento físico foi apenas um momento de adaptação para um relacionamento mais forte e duradouro, segundo o estudante de história da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), Jonas Chicuta, que mantém um relacionamento de 1 ano e 11 meses com Regina Moreira, estudante de biologia.

“Com o início do isolamento tivemos que nos distanciar por medo de nos infectar e infectar os nossos parentes, mas o relacionamento não esfriou por isso, pois utilizamos as redes sociais para nos comunicarmos diariamente, seja por meio de mensagens de texto ou por vídeo chamadas. Tivemos que nos reinventar, mas a relação não foi prejudicada, acredito que ficou ainda mais forte”, conta Jonas Chicuta.

O casal completa dois anos de relacionamento no dia 12 de junho, por coincidência, a data em que é comemorado o dia dos namorados. Jonas demonstra sua frustração por não poder levar a amada para uma viagem ou passeio diferente do habitual, principalmente por coincidir com esse dia, contudo, ele diz entender que o momento que estamos vivendo pede uma postura diferente e que se resguardam agora para aproveitar futuramente, quando tudo isso passar.

O mês de junho parece ser o mês que muitos casais alagoanos comemorarão o relacionamento, como é o caso de Júlia Rocha, que está em um namoro de 11 meses com Emília dos Santos e juntas planejavam aproveitar o grande dia curtindo as belas praias da cidade de Maragogi. A quarentena fez com que mudassem seus planos, mas as jovens não se entristecem, porque estão confiantes que poderão aproveitar quando o momento passar.

A rotina de Júlia Rocha e sua namorada era bastante interligada, por estudarem na Universidade Federal de Alagoas (Ufal), se viam todos os dias, agora estão precisando controlar a vontade de ficarem juntas. “Praticamente tudo que fazíamos juntas mudou. Antes da pandemia, nós tínhamos uma rotina de se ver basicamente todos os dias, até porque estudamos na Ufal. Então, geralmente depois das aulas sempre nos víamos, ou íamos fazer algo juntas no shopping, cinema. Mas com a pandemia isso se tornou impossível”, disse Júlia Rocha.

Ela conta que atualmente se encontram apenas uma vez por semana e tomando todos os cuidados possíveis e diz também que a situação não diminuiu ou esfriou sua relação, uma vez que utilizam a tecnologia a favor do casal, trocando mensagens constantemente durante o dia.

A universidade era um local de encontro entre muitos jovens de Maceió, assim como locais de lazer, como cinemas e parques, que segundo Lucas Amorim, fazia parte da rotina com seu namorado, Lucas Cardoso. “Antes da quarentena nos víamos quase todos os dias, tanto na universidade quanto indo para casa um do outro. Sentimos falta de atividades juntos, como ir para o cinema, que era um hábito nosso. Sair para comer fora e até caminhar na orla, tivemos que parar com tudo”, lembrou Lucas Amorim.

O casal também vem usando as redes sociais para matar a saudade. De acordo com Lucas, fazer ligações e videochamadas se tornou parte da rotina do casal. Ele conta também que a relação não esfriou com a distância, pelo contrário, ele diz que a saudade faz com que queiram cada vez mais ficar perto um do outro.

Adaptação

Foto: Cortesia à Gazeta de Alagoas
 

Paralelamente aos casais que precisaram diminuir o convívio, há aqueles que, por proximidade entre as residências ou por segurança onde moram, conseguem se ver com frequência, claro, ainda tomando os devidos cuidados. Como é o caso de Emília Lopes e Igor Menezes, que estão juntos há 4 meses e estão se conhecendo mais durante esse período. “Esse período aumentou o conhecimento sobre o outro. O conhecer, tanto defeitos, qualidades, manias, etc. Fez com que o diálogo surgisse e houvesse o entendimento de quem é o outro, para fluir melhor, sem atritos”, relatou Emília Lopes. 

Alex Batista e Fernanda Sarmento também fazem parte dos casais que puderam ficar mais próximos durante a pandemia. Por morarem perto um do outro o casal consegue manter a proximidade. “Eu consegui ter uma relação mais próxima com ela, justamente pelo fato de que minha namorada mora bem próxima de mim. Acho que da minha casa para a dela é uns 3 minutos. Então, mesmo com a quarentena, nós conseguimos ficar mais juntos”, contou Alex Batista.

Foto: Cortesia à Gazeta de Alagoas
 


Como nem tudo são flores, alguns casais enfrentam certas dificuldades na adaptação para a nova forma de se relacionar. Seja pela distância em si, ou por situações que ela agravou, como conta José Fernandes, que está passando por algumas dificuldade no seu namoro de 10 meses com Martin Guedes. “A dificuldade é principalmente por conta da quarentena, mas também envolveu outros problemas já existentes no relacionamento que foram drasticamente agravados por essa distância, chegando até isso”, relatou.

Ele contou que costumavam usar da tecnologia, assim como os demais casais, para suprir a ausência um do outro. Entre as ferramentas usadas estava o aplicativo ‘Rave’, que permite assistir a um filme em conjunto com outra pessoa mesmo estando distantes. “Tentamos, sempre que podíamos, suprir a ausência. Optamos por diferentes tipos de coisa, como assistir vídeos ou séries juntos pelo Rave - que é um aplicativo que permite que você assista algo em sintonia com outra pessoa, podendo se comunicar por mensagem ou áudio durante a exibição-, fazer vídeo chamadas etc. Às vezes supria, as vezes não”, frisou José Fernandes.

Ao ser questionado pela Gazeta de Alagoas sobre a possibilidade de o relacionamento voltar ao normal tanto no pós, quanto durante a quarentena, José relatou que, apesar da distância, a imensidão do que ele sente por Martin não pode ser posta em palavras e espera que possam estar juntos novamente, seja se comunicando por uma ligação às 2h da madrugada, ou em um abraço apertado quando a situação melhorar.

“Seria muito triste uma história tão longa - pelo tempo que nos conhecemos- e bonita acabar por erros cometidos e agravados pelo distanciamento. Me arrependo da minha parte em chegarmos a esse ponto, mas quero dizer que independente da distância que estejamos um do outro, o que eu sinto por ele é mais forte, e maior, que tudo isso”, disse José Fernandes, emocionado, enquanto mostrava uma foto do casal, abraçados. Na foto, apenas o pôr do sol alaranjado ilumina os dois.

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