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Cidades

NOVO ESTUDO MOSTRA EFICÁCIA DE ANTIVIRAL NO COMBATE À COVID

Ação do daclatasvir no tratamento da doença ainda ainda precisa ser testado em pacientes

Por WILLIAM MAKAISY ESTAGIÁRIO | Edição do dia 30/06/2020

Matéria atualizada em 29/06/2020 às 23h04

O número de casos e o número de mortos por conta da Covid-19 continuam crescendo todos os dias no Brasil. Paralelo a esses números, cada vez mais estudos sobre medicamentos que possam combater o vírus são realizados, como o atual estudo liderado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), que descobriu a eficácia do antiviral daclatasvir, no combate a doença. O medicamento, no entanto, até o momento só mostrou efetividade in vitro, ou seja, em laboratório, não tendo sido estudado ainda em humanos. Para a infectologista, Maria Raquel Guimarães, que já trabalha há anos com o uso do antiviral, combinado com o sofosbuvir para tratar hepatite C, por enquanto, a medicação ainda está sendo analisada e seu uso terá que esperar. “Trabalho há muitos anos com o uso de daclatasvir como medicação combinada com sofosbuvir para tratar hepatite C, aqui no estado de Alagoas. No momento essa medicação ainda aguarda a revisão de todos os trabalhos por especialistas internacionais. Porque essa notícia foi publicada como preprint na plataforma BioRxiv”, explicou. “A partir do momento que a medicação for liberada poderá atuar mediando o processo inflamatório que ocorre com a entrada dos vírus nas células, podendo assim, impedir a multiplicação viral dentro das células, chegando ser 4 vezes mais forte do que os demais antivirais da sua categoria que já foram testados por especialistas”, relatou a médica. A infectologista explicou ainda que, o medicamento é um avanço, porém, até o momento, não há nada de conclusivo sobre seu uso. Ela contou também que, como qualquer medicação, o daclatasvir poderá apresentar, durante seu uso, reações adversas que precisam ser monitoradas pelos médicos e orientadas a quem utiliza a medicação.

Vale reforçar que, o estudo foi realizado in vitro, e não em humanos, sendo usado três linhagens de células, incluindo células pulmonares humanas. O antiviral conseguiu impediu a produção de partículas virais do novo coronavírus, que causam a infecção. O medicamento foi de 1,1 a 4 vezes mais eficiente do que outros remédios que estão sendo usados nos estudos clínicos da Covid-19, a exemplo da cloroquina e da combinação de lopinavir e ritonavir e a ribavirina, este último também usado no tratamento de hepatite.

CONSELHO REGIONAL DE FARMÁCIA

De acordo com Sabrina Neves, membro do grupo de trabalho de ensino e pesquisa do CRF/AL, um estudo in vitro não tem comprovação alguma que terá a mesma eficácia em humanos. “O estudo é in vitro, em condições laboratoriais, não há comprovação que vá agir do mesmo jeito no organismo humano. Outra coisa, falando de Covid-19 temos várias fases da doença, e quando o paciente está na fase 3, que é a mais grave, onde há insuficiência respiratória, o que importa ali já não é mais a replicação viral. Não podemos pegar um medicamento que fez sucesso in vitro e dizer que vai funcionar clinicamente”, ponderou. O presidente do Conselho Regional de Farmácia de Alagoas (CRF), Robert Nicácio, reforçou que, o estudo é recente e com poucos pacientes, sendo, até o momento, inconclusivo. “O medicamento, de acordo com o que sabemos até agora, poderá, não é certeza, impedir a replicação viral. Esse medicamento é usada para Hepatite C, então, nada comprovado além do que indica a bula. Portanto, ele não deve ser comprado nas farmácias, pois pode prejudicar aqueles que realmente precisam”, relatou Robert Nicácio.

Robert volta a reforçar ainda que, até o momento, não existe medicamento totalmente efetivo e com comprovação científica de que combata o coronavírus. “Medicamentos como hidroxicloroquina, cloroquina, ivermectina, nitazoxanida, dexametasona ou azitromicina. Todos são experimentais, e, ademais, a prevenção continua sendo isolamento social, uso de máscara e respeito ao distanciamento mínimo”, disse.

SESAU

Segundo a assessoria de comunicação da Secretaria de Estado da Saúde (Sesau), no estado, o uso de medicamentos no combate da Covid-19 segue orientações da Sociedade Alagoana de Infectologia e, até o momento, nada foi informado sobre a aplicação da medicação em Alagoas.

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