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Cidades

DADOS MOSTRAM QUASE 2.600 ALAGOANOS VACINADOS NO PARÁ

Pesquisadores da Ufal apontam possível falha no sistema de cadastro do Ministério da Saúde /

Por Hebert Borges | Edição do dia 14/07/2021

Matéria atualizada em 14/07/2021 às 04h00

| Assessoria

Quase 2.600 alagoanos que moram em Belém, no Agreste de Alagoas, teriam cruzado o País e ido até Belém, no Pará, estado da Região Norte, para se vacinar contra a Covid-19. Os números constam no banco de dados do Ministério da Saúde e foram tabulados por pesquisadores da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), mas, longe de refletir a realidade da cidade alagoana de quase 4.300 habitantes, eles levantam suspeita de falhas na alimentação do sistema.

Se os dados oficiais estiverem realmente corretos, eles apontam uma preferência dos cidadãos da Belém alagoana pela região Norte do Brasil. Isso porque, outros 103 cidadãos teriam saído do Agreste de Alagoas para se vacinar em Ananindeua, na Região Metropolitana de Belém, no Pará.

Ao analisar os números, os pesquisadores da Ufal constataram anomalias e fizeram um relatório citando os possíveis erros. Eles alertam as autoridades sobre os prejuízos que esses erros podem causar. “O objetivo desse relatório é alertar aos responsáveis e comunidade em geral dos possíveis problemas encontrados na base de dados de vacinação de Covid-19 que podem levar a importantes erros de avaliação do estágio atual da campanha de vacinação”, afirma.

Contudo, o professor da Ufal Krerley Oliveira pondera que estas falhas não descredibilizam o processo de vacinação no País. Segundo ele, elas podem indicar um erro no preenchimento de informação ou alguma falha na base do Ministério da Saúde.

Além das anomalias em relação ao fluxo de vacinados entre cidades, os pesquisadores encontraram outras falhas. Os números oficiais apontam que 28 pessoas que nasceram no século 19 se vacinaram em Alagoas. Outros 5.565 alagoanos teriam tomado apenas a segunda dose. Outros 366 teriam tomado a segunda dose antes da primeira.

Oliveira afirma que estes erros podem ser corrigidos, e que neste momento o principal deve ser o avanço da vacinação pelo País. No relatório de anomalias, os pesquisadores afirmam que como não possuem conhecimento nem acesso à base de dados original, nem como se deu o processo de anonimização, coleta dos dados e envio da informação através dos sistemas do SUS, não podem afirmar categoricamente a existência de alguns dos problemas, muito menos apontar as causas ou responsáveis por eventuais falhas.

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