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ASSEMBLEIA SOBRE GREVE NA UFAL NO DIA DA VOLTA ÀS AULAS DESAGRADA A ALUNOS

Professores e servidores marcam deliberação sobre paralisação para data do retorno às aulas presenciais

Por WANESSA FRANÇA | Edição do dia 18/03/2022

Matéria atualizada em 18/03/2022 às 04h00

| : Divulgação

Estudantes da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) reclamam da possibilidade de adesão de professores e servidores à greve nacional por tempo indeterminada, pautada para assembleia a ser realizada na próxima segunda-feira (21). A data é justamente o dia do retorno às aulas presenciais, depois de dois anos de ensino remoto. O anúncio da assembleia para deliberar sobre a greve na mesma data do retorno às aulas foi mal recebido entre os estudantes.

A estudante Lívia Braga relata que cursou apenas um semestre de aulas presenciais e logo após veio a pandemia. No 4º período de Jornalismo, ela se diz frustrada diante da possibilidade de greve,

“Estamos sem aula presencial desde de março de 2020 e, dois anos depois, estamos nos sentindo mais seguros porque tem a vacina, tudo voltando aos eixos e já estávamos contando com esse retorno”.

A suspensão das aulas presenciais se tornou necessária à contenção da pandemia. Porém, o período de Ensino à Distância (EAD) foi marcado por dificuldades, segundo alunos ouvidos pela Reportagem.

“Ingressei na Ufal seis meses após o previsto para minha turma, porque o calendário já estava atrasado e com a pandemia, foi um ano sem aula, seguido de um PLE (Período Letivo Excepcional) desestruturado”, conta Danielle Batista, que está no 9º período do curso de Administração.

A possibilidade de adesão à greve frustra o sentimento de alívio com o retorno às atividades presenciais. Wylsff Rhamon, do 6º período de Direito, afirma que sua graduação foi afetada, pois passou um ano sem atividades acadêmicas. “O PLE implementado em 2020 não contemplou a todos. Eu me sinto em um contexto de descaso e desrespeito”, completa o estudante.

Yandra Silva diz que deveria estar no 8º período de Direito, mas cursa o 6º e se declara inconformada diante da possibilidade de greve. “A situação de iminente greve por tempo indeterminado na Ufal me faz sentir revolta e total descaso da universidade pelos alunos. É inaceitável passar por essa situação, não entendo como prudente que ocorra paralisação no momento. É total descaso com os estudantes que pedem o mínimo: a conclusão do curso”, diz a aluna.

ORGANIZAÇÃO

Outro ponto de discussão entre os estudantes é a preocupação com os que vêm de outras cidades/estados e precisam de organização prévia para as aulas presenciais. “Parte do corpo discente da Ufal é composto por pessoas de outros estados e/ou cidades, o que requer organização para o retorno. É falta de consideração anunciar greve justamente no dia de retorno. Todos precisam se (re)organizar para essa situação inconstante e imprevisível”, comenta Sandryele Moraes, do 4º período de Letras-Inglês.

DIRETÓRIOS

Os diretórios acadêmicos da universidade não emitiram um posicionamento, mas integrantes ouvidos pela Gazeta avaliam que não acreditam que esse seja o momento adequado para adesão a uma greve.

O estudante Vitor Leite, representante do Centro Acadêmico Guedes de Miranda (CAGM), da Faculdade de Direito de Alagoas (FDA/Ufal), informa que “o CAGM tem como tradição se posicionar apenas após consulta estudantil, numa lógica de plebiscito, para garantir que todas as opiniões estudantis sejam escutadas. Contudo, a percepção geral é de que o corpo discente é majoritariamente contrário à qualquer greve no presente momento”

Seguindo posição similar, integrante do Diretório Central dos Estudantes (DCE) da Ufal ouvido pela Gazetas defende que a greve é uma ferramenta legítima de luta e considera a pauta legítima, porém, pondera sobre o atual momento.

“É preciso tratar com a devida importância a preocupação das(os) estudantes com o momento em que a discussão ocorre, e a forma como ela acontece, já que a assembleia em si vai ser feita justamente no momento da volta às aulas presenciais. Esse momento já está sendo cercado de muitas preocupações como o deslocamento para a universidade com o transporte lotado, a mudança de cidade de muitas(os) estudantes, a assistência estudantil e o apoio da universidade para esse momento, e a adição da possibilidade de greve acaba sendo mais um fator em meio a isso tudo”, comenta Gabriel Ferreira, estudante de Psicologia e secretário geral do DCE pelo movimento Por uma Universidade Popular.

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