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Saúde

VÍRUS DA VARÍOLA DOS MACACOS CHEGARÁ AO PAÍS, DIZ INFECTOLOGISTA

Recomendação do profissional é de continuar usando máscara para evitar também a contaminação pelo vírus que já está em 20 países

Por Regina Carvalho | Edição do dia 28/05/2022

Matéria atualizada em 27/05/2022 às 20h59

O infectologista Fernando Maia: “Com essa situação na Argentina será uma questão de tempo chegar até aqui no Brasil"
O infectologista Fernando Maia: “Com essa situação na Argentina será uma questão de tempo chegar até aqui no Brasil" | Ascom/Ufal

Com a proliferação do vírus da varíola dos macacos (monkeypox) em pelo menos 20 países, a atenção se volta para essa doença, que levou o Ministério da Saúde a instituir uma sala de situação para monitorar o cenário no Brasil, especialmente depois do caso na Argentina. Segundo a plataforma de dados Our World in Data, da Universidade John Hopkins, há relato de mais de 300 casos da doença em locais fora do continente africano, com surtos espalhados, o que gera preocupação dos especialistas. “Com essa situação na Argentina será uma questão de tempo chegar até aqui no Brasil. E possivelmente os casos comecem a aparecer nas grandes cidades já que os relatos iniciais são na Europa, assim como aconteceu inicialmente com a Covid-19”, declara o infectologista Fernando Maia. Na avaliação de Fernando Maia, “o que pode acontecer, se essa doença se espalhar, é que a vacina contra a varíola tenha que voltar. Quem nasceu até os anos de 1975 e 1978 deve ter tomado a vacina contra a varíola humana, que estava erradicada, mas não se sabe exatamente como é a transmissão dessa agora, mas não tão contagiante quanto a Covid”, acrescenta. Segundo o infectologista Fernando Maia, “a recomendação é que continuemos usando máscara, como a gente já estava fazendo, para evitar a contaminação agora e adoecer da varíola dos macacos.

A DOENÇA

“O que eu sei da varíola dos macacos é exatamente o que a literatura diz porque nunca vi nenhum caso de varíola do macaco e nem de varíola humana. A varíola do macaco é uma doença causada por um vírus que faz parte da mesma família da varíola humana e embora a gente chame de varíola dos macacos, os macacos podem ter a doença, mas ela é transmitida principalmente por roedores que funcionam também como reservatórios”, declara a infectologista Luciana Pacheco.

“Entre os humanos a transmissão acontece principalmente pelo contato íntimo, com a pele, têm as bolhas que são ricas em partículas virais. Tem descrição de transmissão respiratória e através de objetos. As lesões da varíola têm o mesmo formato, diferente da catapora, que aparece em diferentes estágios”, acrescenta a infectologista. “Era uma doença que era comum na África Ocidental, mas, depois desse surto, saiu do seu ambiente natural e começou a aparecer na Europa com a intensidade grande principalmente em Portugal e Espanha, agora nos Estados Unidos também e na Argentina, que foi notificado um caso”, encerra a médica.

CASO NA ARGENTINA

“O Ministério da Saúde da Nação anunciou que o primeiro caso de varíola na Argentina foi confirmado. Esta é uma pessoa de quem foram retiradas amostras para análise dias atrás e que se tornou o primeiro suspeito no país. Além disso, foi relatado um segundo ‘suspeito’, que não estaria relacionado ao primeiro caso”, informa trecho de reportagem do jornal Argentino El Clarín. Os países endêmicos da varíola dos macacos são: Benin, Camarões, República Centro-Africana, República Democrática do Congo, Gabão, Gana (identificado apenas em animais), Costa do Marfim, Libéria, Nigéria, República do Congo, Serra Leoa e Sudão do Sul.

Mais de 80 casos foram confirmados fora das regiões em que a enfermidade é endêmica, em 15 países no total: Alemanha, Austrália, Áustria, Bélgica, Canadá, Espanha, Estados Unidos, França, Israel, Itália, Países Baixos, Portugal, Reino Unido, Suécia e Suíça.

A Vigilância Epidemiológica da Secretaria de Estado da Saúde aguarda orientação do Ministério da Saúde para adotar medidas de identificação e controle da doença.

Essa semana a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) pediu reforço de medidas não farmacológicas, como distanciamento, uso de máscara e higienização frequente de mãos, em aeroportos e aeronaves, para retardar a entrada do vírus da varíola dos macacos no Brasil.

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