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Maceió,
Nº 5730
Transporte e trânsito

ESPECIALISTA APONTA SOLUÇÕES PARA MOBILIDADE URBANA DE MACEIÓ

Fábio Barbosa diz que é preciso investir em planejamento e grandes obras

Por Thiago Gomes | Edição do dia 25/05/2024

Matéria atualizada em 25/05/2024 às 04h00

Quando for colocada em prática, a requalificação da mobilidade urbana de Maceió vai exigir um planejamento e um volume de grandes obras para ter sentido prático e impacto positivo na população. É como analisa o engenheiro de transporte e especialista em gestão da mobilidade urbana Fábio Barbosa.

Na entrevista que concedeu ao programa Boletim Gazeta, da Gazeta News, o especialista apontou soluções que considera fundamentais para melhorias do sistema de transporte na capital e fez uma análise das medidas adotadas pelo poder público nesta área.

Segundo ele, as ações mais pontuais do município, que se assemelham a outras regiões do País, têm efeito muito limitado e pouco duradouro, a exemplo da requalificação do trânsito de automóveis na cidade.

“Não se pode dizer na engenharia que esta requalificação terá um ganho na mobilidade como um todo, mas vai beneficiar somente o transporte individual e o coletivo. A requalificação da mobilidade urbana tem um contexto bem amplo e, no âmbito da engenharia do tráfego, estas estratégias atualmente implantadas estão ultrapassadas, sem ganho significativo para a melhoria da mobilidade”, destacou.

Segundo ele, as grandes cidades estão investindo no planejamento urbano que contempla um desejo inclusivo de mobilidade, permitindo a circulação mais ativa de outros meios de transporte, como bicicletas elétricas, patinetes e abrindo espaço para a caminhada potenciada, sempre olhando para o coletivo.

‘Mas, do jeito que está sendo feito, tem que parar e repensar a cidade. Qual a cidade que a gente quer? O grande índice para saber se o transporte coletivo é suficiente é justamente observar se as pessoas de classe média e média alta conseguem ter a opção de deixar o carro em casa para pegar um coletivo. E isso não acontece em Maceió. A capital é uma cidade muito expandida e não controlada, com fluxo da especulação, e o formato do transporte coletivo não atende à população”, esclarece.

A respeito das vias de interligação, que estão sendo construídas na cidade, Fábio Barbosa opina que quaisquer intervenções para o transporte rodoviário são momentâneas, como mostram pesquisas nesse sentido que apontam a utilização máxima sem estrangulamento por, no máximo, dois anos.

“Depois desse período, a via fica sufocada. Toda obra aqui é paliativa e não é fruto de um estudo aprofundado de impacto e com planejamento. A gente vive apagando incêndio. Os gargalos serão frequentes se não pararem para pensar a cidade. Não tem como investir em transporte individual porque vai implicar em muitas desapropriações. Não há como abrir mais ruas na cidade”, acredita.

Ele também diz que há viabilidade de se construir o VLT [Veículo Leve sobre Trilhos] na Avenida Fernandes Lima e no Vale do Reginaldo. Seriam soluções de mobilidade que impactaram positivamente na população.

“A condição da engenharia permite que o VLT seja implantado no canteiro da Fernandes Lima, não no nível da via, mas poderia ser suspenso. No Reginaldo mais ainda, porque tem como fazer a ligação da parte alta à parte baixa. Já se falaram em construir uma via ali, o que seria um erro. O transporte ferroviário ocupa menos espaço. É um erro não investir em transporte ferroviário em áreas urbanas. Quanto mais tempo demorarmos para pensar na cidade, mais tempo iremos demorar para ter soluções”, frisou.

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