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TAXAÇÃO SERIA RETALIAÇÃO DOS EUA À APROXIMAÇÃO DA CHINA

Flerte entre Jair Bolsonaro e a China foi um agravante para a medida de Trump

Por Folhapress | Edição do dia 03/12/2019

Matéria atualizada em 02/12/2019 às 20h03

Presidente Bolsonaro esteve no mês passado com o líder chinês, Xi Jinping, em Brasília
Presidente Bolsonaro esteve no mês passado com o líder chinês, Xi Jinping, em Brasília | Isa Nóbrega/PR

Washington, EUA – O anúncio de que os EUA vão retomar as tarifas sobre o aço e o alumínio que chegam do Brasil e Argentina pegou de surpresa o governo brasileiro, enquanto analistas e integrantes da Casa Branca avaliam que o flerte entre Jair Bolsonaro e a China foi um agravante para a medida divulgada por Donald Trump. Segundo membros do Itamaraty, não houve nenhum sinal nos últimos dias de preocupação por parte dos EUA sobre a situação do aço e alumínio importados do Brasil, nem mesmo durante passagem do ministro Paulo Guedes (Economia) por Washington, na semana passada. Guedes esteve em reunião com empresários e o secretário de Comércio dos EUA, Wilbur Ross, na segunda-feira (25) e, de acordo com participantes dos encontros, o aço não foi um tema relevante nas conversas. Desde a manhã desta segunda-feira (2), integrantes do governo brasileiro foram escalados para contatar a Casa Branca e o Congresso americano e tentar entender as razões que estimularam a decisão de Trump. Além disso, pretendem explicar o funcionamento da política de câmbio e da indústria de aço no Brasil, na tentativa de fazer os EUA reverem a medida. O presidente americano distorceu fatos nesta segunda-feira (2) ao dizer que Brasil e Argentina desvalorizam propositalmente suas moedas para tirar vantagem da alta cotação do dólar -o Banco Central brasileiro, porém, interveio na semana passada para tentar reduzir a desvalorização do Real. A avaliação entre diplomatas brasileiros é que o anúncio de Trump é um novo -e forte- ingrediente que prejudica a imagem de boa relação que o Brasil tenta estabelecer com os EUA desde a eleição de Bolsonaro. Antes da decisão do republicano, o USRT havia enviado à Casa Branca informações que tratavam da desvalorização das moedas de diversos países, inclusive no Brasil, e como isso poderia afetar produtores americanos. O USRT é o escritório que cuida das relações comerciais dos EUA e o órgão do governo Trump mais reticente ao Brasil. Em meio à guerra comercial que estabelece com a China e às vésperas da eleição em que tenta ser reconduzido ao comando da Casa Branca, Trump decidiu reforçar mais uma vez sua política econômica protecionista. Setores exportadores do Brasil e da Argentina têm sido beneficiados com a alta do dólar e substituído americanos na venda de produtos para os chineses. Os argentinos, por exemplo, anunciaram recentemente que passarão a exportar farelo de soja para Pequim após duas décadas de negociação. Bolsonaro esteve no mês passado com o líder chinês, Xi Jinping, em Brasília, para a reunião da cúpula do Brics, grupo formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. Na ocasião, o presidente brasileiro afirmou que a potência asiática "cada vez mais faz parte do futuro do Brasil" e que pretendia diversificar as relações comerciais com o país. Os EUA também têm pressionado o Brasil contra a entrada da empresa chinesa Huawei no mercado de 5G. Ainda em novembro, Bolsonaro se reuniu com o presidente-executivo da Huawei no Brasil, Wei Yao, e disse que a gigante havia mostrado interesse no país -o leilão de 5G deve ser realizado no segundo semestre de 2020.

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