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BRASIL JÁ CEDEU EM DIVERSAS FRENTES DIPLOMÁTICAS

País não conseguiu derrubar o veto à importação de carne in natura nos EUA

Por Folhapress | Edição do dia 03/12/2019

Matéria atualizada em 02/12/2019 às 20h07

Presidente da República, Jair Bolsonaro, durante Reunião bilateral com Donald Trump
Presidente da República, Jair Bolsonaro, durante Reunião bilateral com Donald Trump | Alan Santos / PR

Desde a eleição de Bolsonaro, criou-se em Washington uma espécie de guichê de boa vontade quando o assunto sobre a mesa tem o carimbo do Planalto, mas é consenso mesmo entre integrantes do governo brasileiro que a prática não vai se sobrepor a interesses políticos e econômicos dos EUA, muito menos às vésperas da eleição americana. O Brasil já cedeu em diversas frentes diplomáticas em relação aos EUA, sem receber quase nada em troca. Não conseguiu derrubar o veto à importação de carne in natura nos EUA e viu postergado o pleito de entrada do país na OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico), para ficar nos exemplos mais recentes. Em março de 2018, Trump estabeleceu tarifas de 25% sobre o aço e 10% sobre o alumínio importados aos EUA, um dos maiores compradores mundiais desses insumos. À época, o governo brasileiro disse que as tarifas estabelecidas eram injustificadas, mas que permanecia aberto para encontrar uma solução. Um dos principais argumentos do Planalto era que mais da metade do aço importado pelos americanos é do tipo semi-acabado, ou seja, serve de insumo para a indústria dos EUA, e que os brasileiros também compram carvão de West Virgínia, uma região pobre que depende bastante desse tipo de comércio. Dessa forma, o Brasil conseguiu entrar em uma lista de países que ficaram isentos com o aço, dentro de uma cota quantitativa, que não tem sido ultrapassada. Esses argumentos voltarão a ser utilizados pelo governo brasileiro na conversa com os americanos no novo capítulo inaugurado esta semana.

Pego de surpresa com o anúncio do presidente Donald Trump, o governo Jair Bolsonaro deve negar que atue para desvalorizar o real e argumentar que a adoção das tarifas deve prejudicar a indústria carvoeira dos Estados Unidos. De acordo com interlocutores ouvidos pela reportagem, o governo está reunindo informações para tentar convencer o EUA a voltar atrás na imposição das tarifas. No material em preparação que deve ser usado nas conversas com as autoridades dos EUA, o governo brasileiro deverá argumentar que não interfere no câmbio e que a desvalorização do real ocorre livremente, seguindo as flutuações do mercado. | MD

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