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Economia

INFLAÇÃO DA CARNE FAZ IPCA FECHAR 2019 ACIMA DO CENTRO DA META

Índice encerrou ano em 4,31%, primeira vez desde 2016 que a inflação superou o centro da meta perseguida pelo Banco Central

Por DIEGO GARCIA/ FOLHAPRESS | Edição do dia 11/01/2020

Matéria atualizada em 10/01/2020 às 23h16

Preço da carne influenciou resultado da inflação no ano passado, segundo o IBGE
Preço da carne influenciou resultado da inflação no ano passado, segundo o IBGE - Foto: Felipe Nyland
 

Rio de Janeiro, RJ – Influenciado pela alta no preço da carne, o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) de dezembro foi de 1,15%, o maior resultado para o mês desde 2002, segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgados nesta sexta-feira (6). Assim, a inflação fechou o ano de 2019 em 4,31%, acima dos 4,25% previstos pelo CMN (Conselho Monetário Nacional), mas dentro do limite de variação de 1,5 ponto percentual. Foi a primeira vez desde 2016 que a inflação superou o centro da meta perseguida pelo Banco Central. Até outubro, porém, a inflação em 12 meses estava abaixo do piso da meta. O resultado de dezembro ficou acima do valor registrado em novembro, e não tinha um resultado tão alto para o último mês do ano há 17 anos, quando marcou 2,10% em 2002. O preço da carne no Brasil, com alta de 18,06%, contribuiu para esse registro e puxou a marca de 3,38% no grupo de alimentação e bebidas, com maior variação mensal para o setor desde dezembro de 2002. As carnes variaram 32,40%, sendo que 27,61% foram no último bimestre. Outros gêneros alimentícios também tiveram aumento, como o frango (5,08%), pescados (2,37%), feijão-carioca (23,35%) e tomate (21,69%). Por outro lado, a cebola teve queda de 8,76%, assim como o pão francês, com 0,68%. O analista Luca Klein, da 4E Consultoria, a dinâmica de alta nos preços das proteínas deve perder a intensidade. "Se trata de um choque temporário cuja trajetória deve se corrigir no médio prazo à medida que as condições entre oferta e demanda se equilibrem", apontou o analista. A alimentação fora de domicílio foi impactada em 1,04%, com altas em refeição, de 1,31%, e lanche, de 0,94%. Outras altas foram observadas no mês, como combustíveis (3,57%) e passagens áreas, que subiram para 15,62%. O reajuste nos preços das apostas, em novembro, fez os jogos de azar também impactarem a inflação de dezembro (12,88%) . No ano, o grupo alimentação e bebidas aumentou 6,37%. "Pesou também a alta nos planos de saúde (8,24%), por conta do reajuste autorizado pela ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar). A alimentação fora do domicílio também influenciou o índice, em função do aumento das carnes", disse o gerente da pesquisa do IBGE, Pedro Kislanov. Dos nove grupos pesquisados pelo IBGE em 2019, somente artigos de residência tiveram deflação, de 0,36%. Habitação registrou alta de 3,9%, vestuário subiu 0,74%, transportes marcaram 3,57%, saúde e cuidados pessoais cresceram 5,41%, assim como despesas pessoais, com 4,67%, educação, com 4,75%, e comunicação, com 1,07%. Na análise geográfica, a maior inflação do Brasil em 2019 foi em Belém, com variação de 5,51% influenciada pelo preço da carne. Fortaleza vem logo em seguida, com 5,01%, enquanto Campo Grande teve 4,65%, São Paulo cresceu 4,60% e Goiânia 4,37%. A queda na energia elétrica fez Vitória ter a menor taxa de inflação, com 3,29%. Recife, com 3,71%, e Brasília, com 3,76%, foram os demais locais com os menores registros de IPCA do ano passado.

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