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Pandemia

BARES E RESTAURANTES DE AL SERÃO OS PRIMEIROS A SE RECUPERAR

De acordo com economista, a sociedade já está saturada do isolamento e carente desses espaços

Por Hebert Borges | Edição do dia 27/06/2020

Matéria atualizada em 26/06/2020 às 21h09

Bares e restaurantes têm 30% de demissão com fechamento provocado por Covid-19
Bares e restaurantes têm 30% de demissão com fechamento provocado por Covid-19 | Ailton Cruz

As demandas reprimidas de um povo isolado e o turbilhão de sentimentos acumulados devem ser fatores importantes para ditar os segmentos da economia que vão se recuperar mais rápido após a pandemia da Covid-19. Na avaliação do economista Felippe Rocha, bares e restaurantes devem apresentar maior facilidade de retomada, haja vista o anseio das pessoas por desaguar todas as emoções. De acordo com o economista, a sociedade já está saturada do isolamento social e carente desses espaços de consumo. “O consumidor sempre ditou o consumo, são as escolhas coletivas e saber lidar com essas vontades que fazem bons empreendedores lograr êxito no mercado. Com certeza, após o fim do isolamento social, algumas demandas reprimidas e a vontade de circular pela cidade determinarão o consumo de massa. Haverá receio inicial por conta da aglomeração, mas os empresários deverão lidar com isso”, prevê. Em contrapartida, o especialista pondera que o fim da pandemia deve frear alguns setores, como os fármacos, por exemplo. “Fármacos e produtos de higiene foram bem demandados durante o período de isolamento social, mas agora haverá um relaxamento sobre essa demanda. Na verdade, já há certo relaxamento, as pessoas entenderam que não se trata de um ‘apocalipse’”, acredita. Outro ponto que Felippe Rocha levanta é que alguns hábitos de consumo podem ter mudado de forma permanente. “Alguns consumidores ganharam gosto por elaborarem seu próprio alimento, outros gostaram de realizar exercícios em casa e adquiriram até pesos. Outros acabaram utilizando pela primeira vez aplicativos de consumo e gostaram, isso pode indicar novos hábitos de consumo”, alerta. Sobre os segmentos que devem apresentar maior demora para recuperar-se, o economista diz ser difícil elencar. “Se observarmos pela ótica sanitária, alguns espaços de forte aglomeração acabariam sendo pouco frequentados, principalmente lugares fechados, com ar condicionado, que seriam ambientes propícios para proliferação de vírus entre pessoas”, afirma.

COLAPSO

Todavia, se o porvir parece renovar as esperanças, o presente é de perdas. Desde a última segunda-feira (22), empresários do ramo de bares e restaurantes de Alagoas publicam nas redes sociais o aviso: “Alerta de colapso”. O comunicado foi publicado após o Governo de Alagoas anunciar a prorrogação do isolamento social até o dia 30 de junho. Segundo a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes em Alagoas (Abrasel-AL), os 90 dias de fechamento dos estabelecimentos, desde o primeiro decreto governamental, fizeram com que o setor amargasse 30% de demissões no quadro de funcionários. "Infelizmente, muitos dos nossos empresários já anunciaram o fechamento de suas portas, e a previsão é de que esse número cresça ainda mais, chegando à lamentável estatística de 40% de encerramento das atividades nos próximos meses. A Abrasel/AL contabiliza cerca de 15 mil estabelecimentos de alimentação fora do lar. Em sua grande maioria, empresas familiares onde todos dão a sua vida diariamente para garantir o sustento da atividade", diz trecho da nota. Segundo a nota, a Abrasel/AL entende que o momento não é mais de protelar a abertura da economia, mas sim, de unir todas as peças da sociedade e fazer acontecer uma retomada segura dos estabelecimentos o mais rápido possível. "O ponto relevante dos protocolos de reabertura já deveria ser como fazer, e não, quando. Não aguentamos mais!", intima.

* Sob supervisão da editoria de Economia

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