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Economia

CRISE HÍDRICA FAZ CONSUMIDOR APOSTAR EM ENERGIA SOLAR

Setor comemora crescimento e economista diz que é um comportamento natural em busca de economia

Por Clariza Santos | Edição do dia 23/10/2021

Matéria atualizada em 22/10/2021 às 17h57

Técnicos durante instalação de painel de energia solar em empresa em Alagoas feita pela empresa de Geison Alves
Técnicos durante instalação de painel de energia solar em empresa em Alagoas feita pela empresa de Geison Alves | Geison Alves/Cortesia


Com o avanço da crise hídrica e o constante aumento da energia elétrica, consumidores estão apostando em energia solar para reduzir os custos. Devido a essa situação, o Brasil ultrapassou a marca histórica de 11 gigawatts (GW) de potência operacional da fonte solar fotovoltaica, em usinas de grande porte e em pequenos e médios sistemas instalados em telhados, fachadas e terrenos. Esse dado é da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar). Em Maceió, a realidade da energia solar tem sido atrativa para empresários e lares. O empresário Eduardo Jorge de Gusmão Barbosa, proprietário de uma panificação, investiu na mudança e já observa resultados positivos. "Decidimos colocar energia solar para baixar o custo com a energia elétrica. Para se ter uma ideia, nos valores de hoje, a energia estaria em torno de R$ 2500,00. Esse valor porque nosso forno é sustentável. Nós plantamos e usamos eucalipto, para economizar", disse Eduardo Jorge. Um dos fatores que mais fez o empresário apostar as fichas na energia solar foi o fato de que ela reduz a pressão sobre os recursos hídricos, além do risco de mais aumentos na conta de luz da população. "Hoje, pagamos em média R$ 300,00. O custo do investimento para a implantação das placas e de todo o sistema solar, compensou. Em 3 anos vamos recuperar o investimento", completou. Rodrigo Sauaia, CEO da ABSOLAR, diz que o avanço da energia solar no Brasil é fundamental para o desenvolvimento social, econômico e ambiental do Brasil. "As usinas solares de grande porte geram eletricidade a preços até dez vezes menores do que as termelétricas fósseis emergenciais ou a energia elétrica importada de países vizinhos atualmente, duas das principais responsáveis pelo aumento tarifário sobre os consumidores”, defende. O empresário Geison Alves, de 43 anos, engenheiro e empresário do setor de energia solar, conta como está a procura de painéis solar no estado. "Há um tempo a procura por sistemas de geração de energia, dentre elas a solar, vem crescendo. E com a crise hídrica essa procura aumentou bastante. Os valores das bandeiras tarifarias estão incentivando bastante a instalação. Outro ponto que incentivou este crescimento é a mudança da legislação que trata dos créditos gerados nos sistemas". Atualmente, segundo Geison, o valor da conta de energia, após a instalação de um sistema solar, é composta pelo valor de disponibilidade de energia (taxa mínima, que pode ser R$ 100,00 para instalações trifásicas e R$ 30,00 para monofásicas) + valor da tarifa de iluminação pública + impostos e encargos. "Para quem instala a economia gera em torno de 90% do valor da tarifa paga antes da instalação", conta. Com sistema solar instalado, conforme as informações de Geison, a energia gerada é consumida de forma automática e o que não for consumido é “devolvido” a concessionária e vira créditos que podem ser compensados em até 60 meses. Estes créditos, podem ser utilizados no local da geração ou em outras unidades de consumo no mesmo CPF/CNPJ dentro do estado da concessionária. Devido a aprovação do projeto de lei sobre a geração própria de energia elétrica, que estabelece uma transição para a cobrança de encargos e tarifas de uso dos sistemas de distribuição por parte dos micro e minigeradores, Geison diz que essa mudança é um marco para o setor. "Até então era sempre regido por resoluções o que mudava sempre quando alteravam algumas características do setor ou da agência de regulação. Com o PL, agora, a lei estabelece e fixa valores e percentuais cobrados e os créditos para quem possui o sistema instalado. A principal mudança será no sistema de créditos que até ser definitivamente aprovada cada kw gerado é compensado diretamente", conclui. Para o economista Jarpa Aramis, a mudança para energia solar é um comportamento natural. "na medida em que a gente tem uma dificuldade de acessar um bem um serviço, procuramos algo que possa substituir. E é claro que a gente vai ter uma migração para outras energias que estão disponíveis". O economista conta que nem todo mundo vai ter acesso, considerando que Alagoas tem uma população com pouco poder aquisitivo. "Você pode observar um movimento de mercado da classe média, onde as pessoas vão buscar essas alternativas, mas, para a grande maioria ainda é uma dificuldade". Conforme dados da Absolar, o Brasil possui 3,8 GW de potência instalada em usinas solares de grande porte, o equivalente a 2,0% da matriz elétrica do País. Desde 2012, as grandes usinas solares já trouxeram ao Brasil mais de R$ 20,8 bilhões em novos investimentos e mais de 114 mil empregos acumulados, além de proporcionarem uma arrecadação de R$ 6,3 bilhões aos cofres públicos. Atualmente, as usinas solares de grande porte são a 6º maior fonte de geração do Brasil, com empreendimentos em operação em nove estados brasileiros, nas regiões Nordeste (Bahia, Ceará, Paraíba, Pernambuco, Piauí e Rio Grande do Norte), Sudeste (Minas Gerais e São Paulo) e Centro-Oeste (Tocantins).

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