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Finanças

SERASA: CONTAS DE LUZ, GÁS E ÁGUA PESAM NO ORÇAMENTO DO BRASILEIRA

Para 53% dos entrevistados, gastos desse tipo representam o maior percentual de seu orçamento mensal

Por Folhapress | Edição do dia 10/11/2023

Matéria atualizada em 10/11/2023 às 04h00

São Paulo, SP – Sem muitas vezes a possibilidade de serem pagas de forma parcelada, as contas básicas (água, luz e gás) são uma das que mais pesam no orçamento do brasileiro, segundo a pesquisa “Perfil e Comportamento do Endividamento Brasileiro 2023”, divulgada pela Serasa nesta quinta-feira (9).

Para 53% dos entrevistados, os gastos desse tipo representam o maior percentual de seu orçamento mensal. Além disso, para 33% as contas básicas variam de R$ 351 a R$ 750 –quase 57% do salário mínimo no país, de R$ 1.320.

A pesquisa foi feita em parceria com o instituto Opinion Box e com a Flexpag, fintech da Serasa, com 11.541 brasileiros endividados, que foram entrevistados em outubro. Em setembro, 71,8 milhões de pessoas estavam endividadas no Brasil —os dados de outubro devem ser divulgados na próxima semana.

O estudo também apontou que, apesar do peso no orçamento mensal, os brasileiros tendem a priorizar o pagamento das contas de água, luz e gás. Até por isso, 83% dos entrevistados dizem já ter atrasado outras contas para priorizar esses serviços. A mesma fatia de brasileiros diz conversar com familiares sobre a importância de reduzir o consumo de água, luz e gás.

Segundo o levantamento, 61% dos entrevistados já pediram dinheiro emprestado para amigos ou familiares para pagar suas contas básicas; 49% já fizeram empréstimos com essa finalidade e 45% já tiveram água, luz ou gás cortados por atraso de pagamento da conta.

O estudo também apontou que 74% das dívidas com contas básicas estão atrasadas há mais de um ano. Em relação a setembro, as dívidas com esses serviços cresceram dois pontos percentuais –de 22% a 24%.

Ainda assim, as dívidas com bancos (inclui cartão de crédito) seguem sendo as principais, com 29% das menções. As empresas de telecomunicação representam 16%, e varejo e serviços, 11%.

Comparando as despesas dos últimos 12 meses com os dos anos anteriores, os consumidores entrevistados afirmaram estar gastando mais com supermercados (33%), cartão de crédito (29%) e contas básicas (24%). Em 2022, os preços da alimentação no domicílio acumularam alta de 13,23%, mas a expectativa é que o setor registre neste ano a menor alta desde 2027.

“Muita gente começa o endividamento parcelando a compra do supermercado, e às vezes a conta básica não tem essa opção”, diz Felipe Schepers, diretor do Opinion Box.

A pesquisa detectou que o desemprego ainda é o principal motivo de endividamento entre os consumidores, mesmo apresentando queda do percentual pelo quarto ano consecutivo –em 2018, essa era a causa apresentada por 47% dos entrevistados; agora 22%. De acordo com o IBGE, a taxa de desemprego no Brasil no terceiro semestre de 2023 foi de 7,7% –o menor patamar para esse intervalo desde 2014 (6,9%), ano em que a economia nacional entrou em crise.

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