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Cronistas esportivos avaliam mudanças no trabalho em jogos

Jornalistas e radialistas voltaram à cobertura das partidas, após liberação das competições no Estado

Por Debora Rodrigues e Fernanda Medeiros | Edição do dia 01/08/2020

Matéria atualizada em 31/07/2020 às 17h13

Profissionais da crônica esportiva seguem protocolos de segurança nos estádios, durante a transmissão dos jogos
Profissionais da crônica esportiva seguem protocolos de segurança nos estádios, durante a transmissão dos jogos | Cortesia

A pandemia do coronavírus mudou não somente a vida de jogadores e funcionários que vivem no dia a dia de clubes de futebol, mas afetou também os profissionais que exercem funções ligadas ao esporte. Os jornalistas e radialistas (cronistas esportivos) são um exemplo de trabalhadores que precisaram readequar as funções neste novo cenário.

A Gazeta de Alagoas conversou com alguns desses cronistas que acompanham o cotidiano dos times do Estado sobre as adaptações que todos tiveram que fazer no dia a dia de trabalho e como está sendo acompanhar as partidas sem o contato direto com os jogadores em campo e com a ausência de público nos estádios.

O repórter da TV Gazeta Ricardo Amaral comentou que, desde o início da pandemia, sentiu diferença, já que estava nos centros de treinamento de CRB e CSA para acompanhar as coletivas e os treinos, quando eram abertos à imprensa.

“Algo que a gente sentiu bastante foi com relação ao dia a dia do clube, porque a gente estava acostumado a ir nos centros de treinamentos e a ali poderia ter uma visão do que realmente estava acontecendo. A gente podia ver os treinos, ver quais mudanças podiam acontecer [com relação à escalação]”, disse.

REINVENTAR

Os dias de jogos também estão sendo diferentes para os radialistas. Luciano Costa, setorista do CRB pela Rádio Maceió AM 1020, falou com a Gazeta sobre isso e afirmou que este é o momento de se reinventar para continuar passando informações para os amantes do futebol e, consequentemente, ouvintes.

“É tudo muito novo. Imagine você ir fazer uma transmissão esportiva sem poder ter contato algum com os jogadores! Estamos tendo que nos reinventar também e encontrar alternativas de levar a informação precisa para aqueles que acompanham o trabalho da imprensa”, observou.

SOM ARTIFICIAL DE TORCIDA NO ESTÁDIO

O repórter fotográfico Ailton Cruz, da Gazeta de Alagoas, disse que a ausência da torcida faz falta para os times, pois é aquela vibração no estádio. “Os torcedores ficam chamando a gente, pedindo para tirar fotos deles. É uma euforia. Eles ficam nos chamando o tempo todo. Agora, com essas medidas de segurança, isso não existe. Ouvir o som da torcida, ela estando presente, é mais vibrante. Colocaram um som artificial de torcida vibrando, no serviço de som do estádio, só que estava muito alto. Como foi o primeiro jogo, com certeza deve haver algum ajuste nesse sentido, nas próximas partidas”, avaliou Cruz, que trabalhou na partida CRB x Coruripe, na quarta-feira (29), pela volta do Alagoano.

Também repórter fotográfico, Thiago Davino, do site Minuto Esportes, disse que futebol sem público não tem emoção, mas que neste momento de pandemia é importante se ter segurança: “Futebol sem a participação do torcedor tira a emoção no estádio, mas neste momento se faz necessário no combate à pandemia do novo coronavírus”, destacou.

“O que eu mais lamento dentro desse processo é que, quando você chega no estádio para trabalhar, equipes de rádio e TV já devem ser abordadas pela equipe do protocolo, para medir a temperatura, e isso não foi feito em mim em Arapiraca. Com relação ao álcool em gel, também não tinha”, disse Warner Oliveira, repórter do Timaço da 98,3 FM (Rádio Gazeta).

“Nós chegamos muito cedo, mas é nossa obrigação chegar cedo. A gente não começou hoje, já fazemos há décadas, então, deveria ter uma equipe pronta para isso. Depois que fui abordado para a colocação de uma fita, mas em nenhum momento foi avaliada a temperatura”, revelou.

“Me posicionei na arquibancada baixa e vi o protocolo sendo cumprido dentro de campo. Cada bola que saía, o pessoal higienizava. O que eu lamento muito foi a presença de pessoas estranhas, que estavam como torcedoras na arquibancada do ASA, acompanhadas de dirigentes. Tinha ex-jogador, ex-funcionários, pessoas que gostam de futebol, mas que não deveriam estar lá”, lamentou.

Os telespectadores viram as mudanças nas notícias dadas no dia a dia. No início, as incertezas quanto à volta do Estadual dominavam os noticiários, que sempre tinham novidades relacionadas à Covid-19 nas manchetes. Agora, mesmo durante a pandemia, com a volta dos jogos, há espaço para o futebol. Mas para os torcedores, tudo deve ser acompanhando de casa, pelo menos por enquanto.

“A volta do futebol sem a disputa das torcidas é estranho. Ter visto o maior templo do futebol alagoano sem público foi difícil. Silêncio em um estádio de futebol não combina. Mas a adaptação a esse novo normal é necessária, porque, a exemplo dos clubes, a gente da imprensa também precisa respeitar e cumprir o protocolo que foi elaborado pelas autoridades responsáveis”, desabafou Luciano, que esteve cobrindo o jogo entre CRB e Coruripe, no Rei Pelé, pela 6ª rodada do Alagoano.

“FICA AQUELE VAZIO”

Ricardo Amaral trabalhou no clássico ASA x CSA, no Coaracy da Mata Fonseca, em Arapiraca, e disse ter sentido falta da torcida. Ele comentou que a ausência pôde ser percebida logo na chegada, já que nenhum torcedor estava confraternizando do lado de fora, à espera do início do jogo.

“Dentro do estádio, fica aquele vazio. Não existe torcida, os gritos em campo são ouvidos nos mínimos detalhes, o que de certa forma ajuda, para a gente tentar entender o que os treinadores e jogadores estão pedindo. Mas por outro lado fica a sensação de que está faltando alguma coisa”, avaliou.

* Sob supervisão da editoria de Esportes.

Profissionais da crônica esportiva seguem protocolos de segurança nos estádios, durante a transmissão dos jogos

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