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DESCONECTE-SE

Você conseguiria ficar um dia inteiro longe da internet e das redes sociais? Pois esse é o objetivo do Desafio Detox Day, que acontece em Alagoas no próximo dia 8; psicóloga explica proposta

Por Larissa Bastos | Edição do dia 23/11/2019

Matéria atualizada em 22/11/2019 às 22h58

Foto: Reprodução
 

Um dia inteiro sem notebook, celular ou internet. Sem navegar pelo Facebook, pelo Instagram ou pelo Twitter. Sem acessar qualquer site da rede mundial de computadores. Você acha que conseguiria? Será possível largar os aparelhos eletrônicos mesmo que por um único dia? Pois saiba que esse é um dos objetivos do Desafio Detox Digital. Marcada para o próximo dia 8 de dezembro, a iniciativa visa chamar a atenção da sociedade quanto aos riscos do uso inadequado da tecnologia, além de despertar uma reflexão sobre a necessidade de uma relação inteligente com ela.

“A ideia é promover um grande dia ‘D’, no qual as pessoas serão desafiadas a ficar 24h desconectadas”, diz a psicóloga Márcia Prado Mello. Já ficou nervoso sem saber o que fazer durante este período? Calma que as opções são muitas. “Atividades em família, exercícios físicos, leituras, práticas esportivas, passeios, entre outros”, aconselha a profissional. “O propósito é ‘reconectar’ as famílias e os relacionamentos sociais em geral”, acrescenta ela. “Esperamos que, ao vivenciar esse tipo de experiência, as pessoas se motivem a repensar a sua relação com a tecnologia, especialmente com as redes sociais digitais, e a sua relação com as pessoas a sua volta, como amigos, família, filhos”, continua Márcia, lembrando que a campanha tem o envolvimento de “múltiplas frentes”. Segundo ela, não há um único realizador.

O Desafio Detox Digital nasceu, na verdade, como “um movimento na própria sociedade”, a partir de um sentimento de desconforto que, ressalta a profissional, vem chegando com cada vez mais frequência e sofrimento aos consultórios de psicólogos e médicos. Em Alagoas, o evento tem o envolvimento de conselhos profissionais de Saúde, associações científicas e empresas de tecnologia, entre outros. “O Governo Federal também enxergou o desafio que temos pela frente e instituiu uma Coordenação de Enfrentamento a Vícios e Impactos Negativos do Uso Imoderado de Novas Tecnologias, o que nos faz lembrar que essa campanha também estará acontecendo nos demais estados, na medida em que a sociedade for convidada e dê sua contribuição”.

Como não há uma coordenação geral no Desafio Detox, também não foi montada uma programação oficial para o dia 8. “Como é um movimento de adesão voluntária e consciente, contamos com a cooperação e criatividade de cada empresa, instituição, família para oferecer aos seus amigos, filhos, alunos e colaboradores momentos de união, alegria onde os elementos principais sejam o contato presencial: o olho no olho, o toque, a cumplicidade gentil!”, aponta.


SERÁ QUE É POSSÍVEL?

Caso você seja um dos que está refletindo se conseguiria ficar as 24 horas longe da internet e das redes sociais, a psicóloga dá um empurrãozinho: para ela, é perfeitamente possível aceitar – e cumprir – o desafio. “Se realmente as pessoas desejassem ou se necessário fosse, acredito que conseguiriam, sim”, diz. “Mas certamente não é essa a principal meta da campanha”. De acordo com a profissional, a iniciativa segue uma proposta divertida e provocativa já usada em outros movimentos semelhantes mundo afora. “Mesmo no Brasil já existem outros movimentos nestes moldes”, acrescenta ela, destacando a importância da oficialização do Dia Detox Digital Brasil.

“A definição de um ponto de encontro para as campanhas que tem propósito parecido, em um país do tamanho do nosso, é fundamental”. Márcia ressalta que a expectativa é que professores e pais sejam motivados a repensar seu papel na formação das novas gerações e na construção de uma educação digital mais consciente, já que são os pequenos os mais prejudicados pelo uso desenfreado da web. Isso porque, como explica ela, o contato com as telas rouba o tempo de interação com o mundo real. “Creio que o mais objetivo dos problemas é a dependência de internet, que afeta 6% da população mundial”, conta. “Não é que a internet esteja criando esse ou novos problemas de saúde mental.

Ela é apenas mais um aspecto da vida para o qual não fomos preparados emocionalmente para lidar. É importante ficar claro que a ideia não é demonizar a tecnologia. Não temos mais como viver sem ela e não podemos abominá-la. Precisamos usar com saúde e sabedoria, essa é a questão”.

Psicóloga lembra que tecnologia deve ser utilizada com sabedoria
Psicóloga lembra que tecnologia deve ser utilizada com sabedoria - Foto: ARQUIVO PESSOAL
 


DICAS DA PSICÓLOGA PARA LIDAR MELHOR COM O USO DAS REDES PELAS CRIANÇAS

- Regule o tempo de uso e não permita acesso contínuo e ininterrupto;

- Desenvolva a consciência a respeito dos ‘efeitos colaterais’ que a internet pode desencadear;

- Faça com que seus filhos tenham uma análise mais crítica a respeito da utilização dessas ferramentas;

- Tenha ciência de que, quanto mais interação digital as crianças tiverem, menos capacidades emocionais serão desenvolvidas;

- Se for pai, avalie seus próprios comportamentos em casa, na hora das refeições, na ajuda com as tarefas escolares e quando é solicitada atenção por parte do filho.


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