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SINAL AMARELO

Setembro Amarelo alerta para a importância de dar atenção à saúde mental; confira cinco perguntas sobre o assunto, respondidas pelo psicólogo Humberto Sarmento

Por DIMITRIA PIMENTEL* ESTAGIÁRIA | Edição do dia 12/09/2020

Matéria atualizada em 09/09/2020 às 21h27

O mês de setembro ganhou a cor amarela em 2015, quando o Centro de Valorização da Vida criou, no Brasil, uma campanha de prevenção ao suicídio que se estende por todo o mês e é conhecida mundialmente. Em 2003, a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou que o dia 10 de setembro seria o Dia Mundial da Prevenção do Suicídio. A cor amarela representa a valorização da vida e também é utilizada em algumas campanhas de conscientização no trânsito. A ideia do projeto é conscientizar e evitar que o número de mortes no país continue crescendo. Atualmente, no Brasil, 32 pessoas se matam por dia, segundo dados da OMS, e esse número está concentrado em jovens de 15 a 29 anos, o que coloca o país no quarto lugar do ranking de suicídios do mundo. Os dados são alarmantes. Pensando nisso, o tema, que já é discutido ao longo do ano, é reforçado e trabalhado por várias instituições durante o mês de setembro, com várias vertentes diferentes e inovadoras. Apesar do assunto ainda ser considerado um tabu, é necessário haver um diálogo sobre o suicídio com a intenção de prevenir e não de incentivar. O psicólogo clínico Humberto Sarmento, que atua como psicoterapeuta no Elabora Psi, é especializado em depressão e transtorno de ansiedade. Ele respondeu cinco perguntas sobre a importância da campanha e de desmistificar o tema.

Qual a necessidade de existir o setembro amarelo? Com o número de suicídio e das tentativas de suicídio aumentando a cada dia, em meados de 2015 surgiu a campanha Setembro Amarelo com o objetivo de conscientizar, prevenir e diminuir os índices. Falar sobre suicídio ainda é um tabu em nossa sociedade, porém, com a campanha, a ação das redes sociais e o apoio de profissionais ligados à saúde mental, as pessoas passaram a compreender que o suicídio é uma questão que merece atenção. A vinculação com a depressão e outros transtornos, consequentemente, é um problema de saúde pública. O setembro amarelo expõe essa realidade e abre espaço para o diálogo e para a prevenção ao suicídio.

Como driblar o medo de falar sobre o assunto? Entendendo que é questão de saúde pública, que tem vinculação com a depressão e saúde mental. Sabendo disso, as pessoas retiram o suicídio de um lugar antes reservado para pessoas que eram consideradas fracas e covardes, como era erroneamente dito antigamente. Quem idealiza ou tenta o suicídio não é covarde. A pessoa está passando provavelmente por uma depressão e encontra na morte, uma solução para seus problemas.

Quais são as principais causas do suicídio? As causas do suicídio podem ser múltiplas que vão desde questões ligadas à depressão e outros transtornos, até questões sociais, econômicas, dependência química, discriminação por orientação sexual e identidade de gênero. Dados apontam que a maior parte dos casos tem relação com a depressão.

Onde e como buscar apoio? O apoio se dá através da busca por profissionais de psicologia e psiquiatria. Também é recomendado que se busque auxílio para chegar a esses profissionais. Importante que a pessoa tenha uma boa rede de apoio (família, amigos) que promovam uma escuta sem julgamentos e críticas e conduza a pessoa que sofre para um profissional qualificado. Em Maceió, existe o trabalho da ONG CAVIDA, que realiza atendimentos psicoterapêuticos gratuitos e o projeto ‘Acolha-me’, que faz a escuta qualificada voluntária através de telefone.

O que pode ser considerado como sinal de alerta? Os sinais de alerta que podem ser mais comuns são: isolamento, desistências de projetos ou estudos, desânimo, sinais de baixa autoestima, desesperança, pessimismo, visão negativa acerca do futuro; decisões repentinas para partilhas de bens patrimoniais, entrega de senhas de banco para familiares, além de frases de alerta como: “preferia morrer”,” quero desaparecer desse mundo”, “quero sumir”, “queria dormir e não mais acordar”, entre outras. O relato mais comum entre os parentes e amigos de alguém que cometeu suicídio é dizer que não percebeu os sinais e que a pessoa nunca conversou sobre o assunto abertamente. Portanto, todos os sintomas são válidos. É importante atentar para prevenir que o pior aconteça e, se você estiver precisando de ajuda, busque os canais do CVV pelo número 188, ou acesse www.cvv.org.br para conversar com um especialista. O serviço é gratuito, pode ser feito de maneira anônima e segue disponível o ano inteiro. *Sob supervisão da editoria da Revista Maré

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