Gazeta de Alagoas
Pesquise na Gazeta
Maceió,
Nº 0
Maré

O que é inteligência emocional

O conceito psicológico que começou com Darwin se transformou em uma competência profissional e pode tornar a vida melhor; entenda

Por DA EDITORIA DA REVISTA MARÉ | Edição do dia 06/02/2021

Matéria atualizada em 03/02/2021 às 20h45

Inteligência Emocional nada mais é do que a habilidade de conseguir perceber, interpretar e gerir emoções, ponto fundamental para todos atualmente. Afinal, o mundo passa por transformações drásticas diariamente e conseguir administrar nossos sentimentos e ações diante de imprevistos e problemas é o passo zero para alcançar o sucesso pessoal, profissional e, consequentemente, manter a saúde psicológica e física em dia. O conceito começou a ser estudado por Darwin, que menciona a expressão emocional como um fator primordial para a adaptação e evolução das espécies. Depois, grandes teóricos como Abraham Maslow aprofundaram as pesquisas e concretizaram o conceito, que ganhou o mundo após um artigo de Peter Salovey e John D. Mayer, lá em 1990. Esses últimos conceituaram a Inteligência Emocional (IE) como “(…) a capacidade de perceber e exprimir a emoção, assimilá-la ao pensamento, compreender e raciocinar com ela, e saber regulá-la em si próprio e nos outros.”, dividindo-a em quatro pilares: Percepção das emoções, Uso das emoções, Entender as Emoções, Controle e transformação da emoção. Em seguida, veio Daniel Goleman, que abordou a Inteligência Emocional como uma habilidade interpessoal e intrapessoal, afirmando que características como empatia e negociação fazem parte da IE e quem as têm, alcança o sucesso mais rapidamente. Atualmente, Rodrigo Fonseca, da Sociedade Brasileira de Inteligência Emocional, empresa especializada no assunto, aprimorou os pilares da Inteligência Emocional pensando no cenário moderno e digital que vivemos, definindo como: “(…) é a capacidade de reconhecer em si mesmo e no outro as emoções, bem como a interação e o impacto delas na vida de cada um, além de saber como redirecionar cada uma delas para gerar melhores resultados para todos”. Rodrigo diz que aprimorar essa inteligência tem diversos benefícios para a vida prática, e menciona algumas, como: aumento da autoestima e autoconfiança; redução de conflitos em relacionamentos interpessoais; direcionamento competente das emoções; aumento do nível de comprometimento com metas de vida; senso de responsabilidade e melhor visão de futuro; compreensão da visão de mundo e dos sentimentos das outras pessoas; equilíbrio Emocional; desenvolvimento da comunicação e poder de influência; aumento do nível de felicidade; melhora na tomada de decisões e clareza. A psicóloga Ingrid Cancela diz que a habilidade é importante para uma vida mais equilibrada e diz que a inteligência emocional, pode, inclusive, mudar a relação do indivíduo com a família. Ela separou cinco dicas práticas para desenvolver essa inteligência:

1- Praticar o autoconhecimento “Ao longo da nossa jornada, adquirimos um olhar de quem deveríamos ser e não quem de fato somos, evitando ter contato com nossas emoções Como consequência, acabamos nos cobrando excessivamente e com isso, adoecemos. É necessário trabalhar a aceitação de quem somos de fato e como nos sentimos em determinadas situações para que, dessa forma, possamos identificar como iremos lidar com tudo à nossa volta de uma forma que funcione para nós e para os outros, também”, explica a profissional.

2- Reconheça seus limites, acertos e falhas Sim, temos limites, falhas e acertos também. É fundamental identificar estes pontos e respeitá-los. Para Ingrid Cancela, dizer não para si mesmo e para os outros, em alguns momentos, contribui para a qualidade de vida. Também é importante identificar os acertos e as falhas que podem influenciar na forma como o indivíduo irá lidar com as situações futuras.

3- Busque uma comunicação clara com você e com o outro “Quando desenvolvemos uma comunicação com nós mesmos onde identificamos como estamos nos sentimos, respeitamos os nossos próprios limites, focamos em quem de fato somos, também precisamos desenvolver essa mesma comunicação clara com os outros, não só trazendo como de fato nos sentimos em relação ao que foi dito ou feito, mas também em como estabelecer os limites ao outro, e dessa forma, podemos nos permitir gerar relacionamentos mais saudáveis”, aponta.

4- Pratique a empatia Se colocar no lugar do outro contribui não só para não levar tudo para o lado pessoal, mas também deixar de manter o foco apenas em si mesmo o tempo todo. Isso contribui com o desenvolvimento do comportamento de coletividade. Esse movimento fará com que o indivíduo identifique e ajude ao próximo. Gerando atitudes mais tolerantes e compreensivas. Além de trabalhar a paciência e a generosidade em si e com os outros.

5- Trabalhe o controle das emoções Para desenvolver o controle das emoções é necessário primeiramente entender que os pensamentos não são fatos, mas sim ideias. Por isso, é legítimo questioná-los e avaliar se tais pensamentos são reais ou não e qual a probabilidade de eles acontecerem. Isso ajudará a ter uma visão realista de nós mesmos, dos outros e do futuro. “Acredito que tudo começa na forma como lidamos com os nossos pensamentos, pois eles irão influenciar em nossas emoções e comportamentos. Compreender o que de fato temos controle e não investir naquilo que não nos cabe controlar. Não supervalorizar situações negativas, mas aprender a lidar com elas, é extremamente importante. Pois situações negativas fazem parte do desenvolvimento humano. Manter o foco no presente é o desafio”, conclui Ingrid Cancela.

Mais matérias desta edição