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MODA VIRTUAL, DINHEIRO REAL

NFT: A tecnologia blockchain tem despertado o interesse dos entusiastas da moda por peças virtuais e já faz grandes marcas se movimentarem

Por MAYLSON HONORATO | Edição do dia 21/08/2021

Matéria atualizada em 18/08/2021 às 21h21

Um tuite, um Gif de gatinho, um meme, uma obra de arte... Quase tudo que é digital pode virar um produto e valer milhares e até milhões de dólares por meio do NFT, uma tecnologia que permite tornar “único” qualquer tipo de arquivo virtual. A tendência, que vem sacudindo mercados, chegou ao mundo fashion e está ganhando cada vez mais adeptos, mesmo quando tudo isso trata de peças de roupas que raramente poderão ser usadas na vida real - ou melhor, fora das telas e das redes.

Faz pouco tempo que o NFT ganhou as páginas dos jornais do mundo inteiro. Normalmente, as reportagens falavam dos memes vendidos por quantias estrambólicas, como o da menina em frente ao incêndio, vendido por US$ 473 mil, ou o do Doge, que possui o recorde de meme NFT mais caro até então, arrematado por US$ 4 milhões. Agora, no entanto, além de memes e artes digitais, o mundo da moda percebeu o potencial desse recurso e começou a explorar roupas e calçados para avatares.

A plataforma de realidade virtual Decentraland já vende essas peças fashion para avatares, a chamada “cripto fashion”. Iniciativas semelhantes começam a surgir em empresas como Louis Vuitton, Burberry e Gucci, deixando os apaixonados por esse universo entusiasmados.

“Seu avatar representa você”, afirma o modelo Imani McEwan, que vive em Miami e é entusiasta do NFT. “Basicamente, o que você está vestindo é o que o torna quem você é.”

O modelo, em declaração à Reuters, afirma que gastou cerca de US$ 16 mil em 70 itens NFT desde janeiro. No entanto, ele diz que o dinheiro que gastou veio do lucro de negociações com criptomoedas. “Primeiro comprei um suéter com a marca bitcoin, recentemente comprei uma boina preta que um amigo desenhou”, relatou.

Em junho, a Decentraland anunciou que os usuários da plataforma poderiam produzir e comercializar roupas e avatares dentro do próprio site. O designer, de codinome Hiroto Kai, disse que, depois do anúncio, ficou acordado a noite inteira desenhando.

“Vendo Kimonos com inspiração japonesa. Cada um sai por US$ 140”, revela o artista digital, que afirma que em três semanas faturou US$ 20 mil. Aos 23 anos, ele, que na verdade se chama Noah, diz que se demitiu de uma loja de música para se dedicar totalmente ao design.


MAS, O QUE É NFT?

A sigla, em inglês, significa non-fungible token. Em tradução para o português fica token não fungível. Fungível é algo que pode ser substituído, o que significa que esses tokens são códigos eletrônicos únicos e insubstituíveis.

Esse código, ou selo digital, pode ser associado a uma foto, vídeo ou a qualquer tipo de arquivo digital. Tornando-o “original”, com uma propriedade definida.

Os arquivos digitais são registrados no mesmo sistema das criptomoedas, como o Bitcoin, o chamado blockchain. Ele funciona como um livro contábil, que registra transações criptografadas. teoricamente, esses registros, uma vez realizados, não podem ser desfeitos.

A nova tecnologia pode ajudar artistas a venderem seus trabalhos digitais com mais facilidade, já que poderão oferecer uma espécie de selo de autenticidade.

Isso não impede, no entanto, que outras pessoas copiem as imagens na desenfreada rede de computadores em que tudo se copia, ela só não será original.

No início de 2021, quando os NFTs explodiram em popularidade, os especuladores e entusiastas correram para garantir seus lugares nesse novo ativo.

“Em vez de navegar por um feed e fazer compras on-line, você pode ter uma experiência de marca mais envolvente explorando um espaço virtual - quer esteja comprando para seu avatar on-line ou comprando produtos físicos que podem ser despachados em sua porta”, disse Julia Schwartz, diretora da Republic Realm, empresa de investimento imobiliário virtual que construiu um shopping center em Decentraland.


TENDÊNCIA

Ainda é cedo para afirmar até onde vai essa febre NFT no universo fashion. Ao que parece, porém, isso veio para ficar e a oportunidade de inovar usando a nova tecnologia está aí, lançada.

A RTFKT saiu na frente e vende NFTs de edição limitada representando tênis que podem ser “usados” em mundos virtuais. “Decolou quando a Covid começou. As pessoas ficaram on-line”, revelou Steven Vasilev, co-fundador da RTFKT.

A empresa diz que faturou cerca de US$ 7 milhões com os tênis este ano, com a maior parte das vendas ocorrendo em leilões. Os clientes possuem entre 20 e 30 anos, mas alguns têm somente 15.

Com preços que vão de US$ 10 mil a US$ 60 mil, a RTFKT resolveu transformar o token em um voucher, que pode ser usado para resgatar uma versão física do tênis. O resgate é gratuito, mas 1 em cada 20 compradores deixam de resgatar seu tênis “de verdade”.

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