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JOVENS HIPERTENSOS

Mortes por doenças cardiovasculares crescem no primeiro semestre de 2021 e hipertensão atinge população mais jovem; saiba como prevenir

Por DA EDITORIA DA REVISTA MARÉ | Edição do dia 23/10/2021

Matéria atualizada em 20/10/2021 às 21h28

Considerada uma doença da população idosa, a hipertensão agora é uma preocupação também entre os mais jovens. De acordo com o Ministério da Saúde, a pressão alta está afetando um em cada quatro brasileiros adultos. No ano passado, casos de hipertensão confirmados em pessoas entre 3 e 18 anos chegaram à casa dos 3 milhões.

Esses dados, somados ao fato de que 51% dos meninos e 43% das meninas entre 5 e 9 anos estão acima do peso, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), escancaram que a incidência da pressão alta na população jovem é um problema atual e, aparentemente, será um problema maior nos próximo anos.

“Esses números expressivos preocupam, sobretudo diante de doenças que poderiam ser prevenidas e tratadas. É um assunto de absoluta relevância, um problema de saúde pública”, alerta Celso Amodelo, presidente da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC).

28 anos, 1 metro e 75, 106 quilos. Essas são as informações do jovem que preferiu ser identificado apenas como Madson. Na vida corrida de jovem adulto, ele mesmo diz que negligenciou a saúde nas primeiras duas décadas de vida e, agora, está correndo atrás do prejuízo.

“Este ano, a minha pressão chegou a 16/10 e passei o dia inteiro mal, uma dor de cabeça, um desconforto. No começo eu não sabia o que era, até que uma amiga minha, que é médica, sugeriu que eu conferisse a pressão”, revela o administrador. “Foi aí que começou tudo, nunca pensei que eu, nessa idade, fosse ter pressão alta. Ainda não comecei a tomar remédio, mas tô realizando exames e fazendo aquele teste que mede a pressão de 30 em 30 minutos”, conta Madson.

O jovem alagoano se refere à chamada Monitorização Ambulatorial da Pressão Arterial (MAPA), um exame que permite o registro indireto e intermitente da pressão arterial durante 24 horas.

Segundo a SBC, a questão da pressão arterial precisa ser discutida e está associada a outros problemas, como a obesidade e o sedentarismo da população. A entidade informou que cerca de 14 milhões de brasileiros têm alguma doença no coração e cerca de 400 mil morrem por ano em decorrência dessas enfermidades.

Isso corresponde a 30% de todas as mortes no país. São cerca de mil óbitos por dia, números que podem estar sendo agravados em função da pandemia da Covid-19.

“A maioria das mortes por doenças cardiovasculares pode ser evitada com medidas simples, por isso é tão importante consultar o cardiologista – a recomendação é que um paciente com riscos maiores, como insuficiência cardíaca, infarto, usa stent, tem arritmia, hipertensão em estágios 2 e 3, seja visto semestralmente por seu médico – fazer um checkup, para a prevenção e manutenção da saúde do coração e ficar fora dessas estatísticas”, explica Amodeo, lembrando que, se forem controlados os fatores de riscos, como hipertensão, colesterol, diabetes, tabagismo, sedentarismo e obesidade, além de se tomar a medicação corretamente e praticar atividade física, quem sofre de doenças cardiovasculares vive melhor.


PRIMEIRO SEMESTRE

De acordo com o cardiologista e presidente da SBC, a pandemia tem feito parte da população deixar de lado os cuidados com o coração. Em parte, diz ele, isso se deve ao receio de se exercitar ao ar livre ou visitar uma academia. O custo desse longo período de sedentarismo será alto, alerta o especialista. No primeiro semestre de 2021, o número de mortes por doenças cardiovasculares aumentou 11,74%.

“As evidências são claras. O sedentarismo tem impacto negativo sobre a saúde, portanto, apesar de não sair de casa, é fundamental que todos realizem atividade física no ambiente domiciliar. Deve-se buscar que as atividades físicas sejam integradas ao cotidiano e que sejam prazerosas. Tais medidas são essenciais e de grande contribuição para a saúde física e mental, auxiliando na prevenção ao colesterol elevado, à Covid-19 e suas consequências”, alerta Amodeo.

As recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS) para indivíduos saudáveis e assintomáticos são de, no mínimo, 150 minutos de atividade física por semana para adultos e 300 minutos de atividade física por semana para crianças e adolescentes. Esse tempo deve ser acumulado durante os dias da semana, podendo ser dividido de acordo com sua rotina.

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