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ARTIGO

O espírito da democracia

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Por Marcos Davi Melo. médico e membro da AAL e do IHGAL | Edição do dia 30/11/2019

Matéria atualizada em 29/11/2019 às 21h16

Pode-se dizer que um indivíduo ou um grupo convencido e possuído pelo espírito da democracia acredita que a convivência com a divergência é possível, que existem instituições independentes na esfera do poder (Executivo, Legislativo e Judiciário) e que elas possam conviver harmonicamente, cada uma dentro de seus limites de pesos e contrapesos; defendem uma imprensa livre e a LIBERDADE DE EXPRESSÃO, que existe uma CONSTITUIÇÃO que necessita ser respeitada, enfim,respeitam itens MINIMAMENTE básicos e elementares da CONVIVÊNCIA HUMANA.

Quando escreveu a República Moderna, Pierre Mendes-France registrou: “ A democracia, é antes de tudo, um estado de espírito ”.O discurso alardeado pelo PT era o de ser o partido campeão da ética,que se apresentava como moralmente superior, assim, imporia a sua vontade ao resto do País, devastado por corrupção, privilégios e outras aberrações. Contudo, além dos desmandos na economia, que levaram o Brasil à sua maior recessão,o uso da corrupção e da leviandade, da arrogância e da violência retórica – quando não física ,como atesta o longo histórico de vandalismo do MST e seus congêneres a serviço do partido – como método para chegar ao poder e lá ficar para sempre, PREVALECERAM. Dificultaram o diálogo democrático ad estremum, mesmo na esquerda, e quem ousava discordar ou votar contra ,era desde logo estigmatizado como inimigo dos pobres, insensível ante “a revolução social” capitaneada por Lula da Silva. INEXISTIA ESPIRITO DEMOCRÁTICO.

Foi contra essa sequência de aberrações perpetradas por quase 15 anos que grande parte da população brasileira votou num candidato que imaginou ser a sua antítese e que convergiria todos os esforços na recuperação dos justos interesses nacionais e no fortalecimento da democracia .Provavelmente, uma parcela minoritária desse robusto eleitorado, acreditava e ainda acredita no salvador da pátria, para o qual, todos os métodos são viáveis para “purificar” e “resgatar os valores morais nacionais”.

Desde a posse de Jair Bolsonaro, todavia, consolidasse a sua aversão aos valores da democracia e constata-se a continuidade de ações compatíveis com sua trajetória política, reiterada de desprezo pelos princípios, ritos e costumes próprios da vida democrática. Por mais eloquente e sonoro que tenha sido o voto de repúdio ao PT e o antipetismo no ano passado, tal voto não trazia embutido majoritariamente nenhuma autorização para que os eleitores dessem vazão a seus instintos mais bárbaros e primitivos, como se a vitória eleitoral tivesse o condão de cercear todas interdições que a civilização impõe aqueles que dela pretendem fazer parte.

Propostas partidas do Palácio do Planalto,ou com seu apoio, como a Exclusão de Ilicitude e o uso do GLO no campo - além de marcadamente autoritárias e inconstitucionais - são essencialmente violentas. Ao apregoar novo AI-5, Guedes parece contaminado pelo autoritarismo e mostra visceral incongruência com o seu perfil liberal, e parece desprezar as perspectivas econômicas nacionais, que nesse contexto de insegurança institucional são imensamente prejudicadas. TAL QUAL NA ERA PETISTA, NO GOVERNO ATUAL INEXISTE ESPÍRITO DEMOCRÁTICO.

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