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Opinião

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Por Editorial | Edição do dia 01/08/2020

Matéria atualizada em 31/07/2020 às 21h50


Ao ter acionado a fase amarela em Maceió e habilitado os demais municípios alagoanos à etapa laranja, o governo deu uma chance para a combalida economia girar um pouco mais em segmentos que se encontravam hibernando, em razão da pandemia. As circunstâncias estão compatíveis com os parâmetros estabelecidos pela matriz de risco, permitindo a evolução no distanciamento social controlado.

É um quadro circunstancial e delicado. É fato que os óbitos vêm diminuindo, significando que mais vidas estão sendo salvas na guerra contra a Covid-19. Não obstante, o número de casos confirmados com o vírus teima em permanecer alto, quando não cresce pela média móvel aferida diariamente. Lembrando que a cor amarela, em normas de segurança, significa adotar uma postura de cuidado. Quando está em jogo a integridade da vida humana, é obrigação de cada um atuar com zelo e diligência. No caso do poder público, é preciso ir além e também lançar mão de outros atributos, antecipando-se aos fatos e agindo diante da percepção de riscos. No caso de Alagoas, algo soa preocupante, apesar da evolução positiva. O governo, que dá um passo à frente, é o mesmo que insinua retroceder e cancelar a reabertura das atividades econômicas. É ainda o mesmo que praticamente limita as ações de fiscalização em estabelecimentos comerciais e faz mídia promocional das unidades públicas de saúde, como se a tempestade tivesse passado. Para afastar o fantasma da impensável marcha à ré, há de se calibrar a dinâmica governamental. Cadê a presença efetiva de uma força-tarefa, congregando esferas distintas de poder, agindo perenemente contra aglomeração e fazendo valer o uso da máscara em locais públicos? É inegável a importância de se monitorar o cumprimento dos protocolos nos estabelecimentos, mas, é incompreensível a ausência da mão do Estado da porta para fora. Não se pode, por exemplo, tentar transferir ao pequeno comerciante da esquina a missão inerente à autoridade pública. Onde o Estado não chega orientando, assistindo e coibindo, prevalecem o desrespeito às normas e a injustiça. É hora de unir esforços, intensificar as campanhas educativas, alertar o cidadão para o perigo da pandemia e exigir o cumprimento das normas em vigor. Dados federais atestam que Alagoas fechou o primeiro semestre com 29 mil postos formais de trabalho extintos. No estágio atual da Covid-19, as autoridades devem manter um olho na saúde e outro na economia. É acolher quem precisa, cobrar responsabilidade das ruas e afugentar, em definitivo, o vírus da recessão e do desemprego.

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