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Maceió,
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Opinião

Repulsa ao continuísmo

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Por Editorial | Edição do dia 21/11/2020

Matéria atualizada em 20/11/2020 às 22h05

Quando o Ibope, em recente pesquisa, aferiu que 69% do povo de Maceió deseja promover a mudança da gestão municipal, também constatou que esse sentimento é o maior entre todas as capitais nordestinas.

A repulsa ao modo de administrar Maceió consagrou-se nas urnas. O eleitor foi além da estatística, pois quase 72% dos votos atribuídos aos candidatos de oposição representam uma sentença democrática de desaprovação da gestão. Significam, sobretudo, a negação ao continuísmo. Professora Moema Siqueira, doutora em Administração pela USP, identifica a eficácia dos resultados no setor público pela melhoria da qualidade dos serviços prestados e aumento do grau de resolutividade dos problemas. Nesta linha de raciocínio, vale aplicar uma lupa em Maceió e comparar indicadores de gestão. O Ranking de Eficiência dos Municípios, por exemplo, produzido pelo Datafolha, com dados do início do primeiro mandato de Rui Palmeira, mostrou a ineficiência administrativa no marco zero da gestão, já na lanterninha entre as capitais nordestinas. Oito anos se passaram e, agora, o Centro de Liderança Pública traz o Ranking de Competitividade dos Municípios. Maceió permanece rebaixado, amargando a última e vexatória posição no Nordeste. Para se chegar a esta lamentável conclusão, aferiram-se temas como saúde, educação, economia, inovação, funcionamento da máquina administrativa, meio ambiente e saneamento.

Sendo qualidade de vida aqui representada por saúde, educação e saneamento básico ofertados ao povo, vale um breve olhar em alguns indicadores de Maceió. A Saúde, por exemplo, é campeã de insatisfação das pessoas que dependem do serviço municipal. Para se ter ideia do descaso, o Programa Saúde da Família alcança pouco mais de 30% da população, sem falar nas filas sem fim em busca de consultas e exames.

A agonia dos humildes também está na educação ineficaz para a demanda, pois há acerca de 20 mil crianças fora das creches e pré-escolas. E ainda tem o drama da falta de uma rede de proteção social do município, que acolha a legião de vulneráveis em nossa cidade. É na ineficiência da prefeitura, que não entrega os resultados exigidos pela comunidade, que se encontra a raiz da insatisfação popular. Eis, portanto, a doença que gera o sintoma da rejeição ao continuísmo administrativo.

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