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Opinião

As urnas na pandemia

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Por Marcos Davi Melo - médico e membro da AAL e do IHGAL | Edição do dia 21/11/2020

Matéria atualizada em 20/11/2020 às 22h06

Napoleão, arquétipo da conquista pela força das armas, afirmou: “Em política, é preciso curar os males, nunca vingá-los”. Foi o que tivemos no primeiro turno das eleições de 2020, quando o eleitorado demonstrou que se cansou dos extremistas e das suas intrigas. O debacle bolsonarista e lulopetista nas urnas, dois anos depois de terem protagonizado a polarização que enfiou o País numa crise moral sem precedentes, é uma ótima notícia para a democracia brasileira. Significa que a política tem tudo para recuperar o terreno que os arautos da antipolítica julgaram ter conquistado com a vitória de Bolsonaro em 2018.

Significa que o eleitorado se cansou da gritaria, da leviandade e do cinismo, cujos protagonistas nada têm a oferecer a um país carente de rumo. Diante da devastação causada pela pandemia ampliada pelo desgoverno Bolsonaro, a política tradicional - que envolve uma disputa entre as melhores ideias e não entre as mentiras mais descaradas - volta a ser valorizada. E é de ressaltar a presença de jovens candidatos competitivos em várias partes do País, o que prova que a politica tradicional, baseada na arte da negociação, não só ganhou fôlego, como se mostrou capaz de seduzir as novas gerações. As eleições mostraram que o Brasil é de centro e que a chegada ao poder da extrema-direita bruta, virulenta, delirante e sem programas foi um ponto fora da curva que vai ficando no passado. O novo normal é normal mesmo: o DEM, PSDB, MDB, Cidadania, PSD formam um sólido bloco de centro que não se confunde com o centrão e vão recuperando o espaço perdido para os extremistas. A direita experiente, civilizada e confiável, amplia seu leque e se articula com setores da esquerda moderada. A esquerda ganha nova cara e tem seus eleitores que legitimam a sua participação na política nacional. Depois de se aventurar sem racionalidade em 2018, dessa vez o eleitorado preferiu caminhar em terra firme e a grande vitoriosa dessas eleições é a politica tradicional, de quem tem proposta e serviço prestado. A belicosa política bolsonarista ficou pelo caminho, junto com o PSL. A centro-direita que se opõe a extrema-direita de Bolsonaro é moderna, estável, serena e confiável. O eleitorado votou com a razão, não com a biles e o ódio como em 2018; deixou de flertar com aventuras perigosas que ameaçam o seu presente e o futuro de sua família. Votou na ciência, contra o negacionismo científico, a intolerância e os preconceitos. Nos EUA, Trump, negacionista mor, tenta desonestamente deslegitimar o eleito Biden e a democracia. Aqui foi a invasão do sistema eletrônico do Tribunal Superior Eleitoral notícia que causou confusão bem ao gosto do bolsonarismo. A tal invasão, deflagrada sob medida para colocar em dúvidas a lisura do pleito, foi neutralizada e não ameaçou em nenhum momento a segurança da votação. Mas nada disso importa para os extremistas, para os quais a simples menção a um “ataque hacker” foi suficiente para dar feição de verdade à patranha segundo a qual as urnas eletrônicas não são confiáveis. O TSE acredita, com fundadas razões, que o grupo responsável pela tentativa dessa invasão é a mesma milícia virtual subversiva que atacou o STF, o STJ e está sob investigação da PF, que tem aí uma excelente oportunidade de demonstrar a sua independência e capturar os criminosos. Esses extremistas precisam parar de atormentar a Nação brasileira, já extremamente angustiada com a vigência da pandemia de Covid-19, que ganha força e causa ainda mais incertezas, ansiedade e insegurança.

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