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Opinião

Convém ser moderado

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Por Alberto Rostand Lanverly - presidente da Academia Alagoana de Letras | Edição do dia 20/01/2021

Matéria atualizada em 19/01/2021 às 22h34

Outro dia, quando o planeta estarrecido acompanhou a invasão do capitólio em Washington DC, muitos foram os comentários emanados através das mais variadas fontes de informação.

Horas depois, um dos repórteres da CNN Internacional assim se expressou: “Há quem diga que de todos os fanáticos que mancharam a história da democracia americana, o mais perigoso foi o que agiu de forma moderada em seu gabinete, insuflando seus seguidores através das mídias sociais, o próprio presidente da nação.” Para mim, uma frase falaciosamente contraditória, afinal o que faz um fanático é a não-moderação. Na verdade, qualquer extremo ideológico, de esquerda ou de direita, diz isso de diferentes formas.

Deixando os conceitos políticos de lado, bem podemos enxergar tanto o fanatismo quanto a moderação, no cotidiano em que vivemos. Em época de pandemia, quando as notícias voam nas asas da internet, as pessoas parecem atordoadas com a situação e muitas veneram a doença, oferecendo-lhe importância peculiar.

Diariamente acordamos, visitamos todos os grupos do Whatsapp aos quais pertencemos, na expectativa de saber se alguém mais morreu. Muitos foram os que faleceram, mesmo continuando vivos. Inúmeros são os que infectados pelo vírus cruel, tem suas famílias instigadas à oferecerem notícias, que quando acontecem são divulgadas com a velocidade da luz, para muitos até desconhecidos do hospitalizado. Carlos de Barros Méro, membro da Academia Alagoana de Letras, herdou de seu pai, o penedense Ernani Méro, o zelo pela escrita. A caneta em suas mãos transforma-se em uma ferramenta que materializa em frases, toda a beleza advinda do seu cérebro, podendo seus escritos serem comparados às oras de Michellangelo ou de Leonardo da Vinci com suas incomparáveis Pietá e Mona Lisa, respectivamente. Dias atrás, no apogeu da segunda onda do coronavírus, Carlos Méro, em uma de suas redes sociais publicou o seguinte texto: “Parece que essa pandemia cultivou o gosto pelo sinistro. E olhe que vingou. Jornal, televisão e redes sociais dedicaram-se a divulgar o pior e fomentar o pânico. Já não se sabe o que é fake news. Basta não ser do meu gosto e já prego que o outro mente, ou vice-versa. E não há pior fanático que aquele que, refugando o contraditório, desqualifica o contrário como fanático.” Mais adiante, ele continuou: “Vamos acreditar no futuro, vamos ter fé, vamos alimentar a esperança. Quem não sabe nadar, tanto mais em águas revoltas, que cuide de boiar; apavorar-se é perder o tino, cansar e afogar-se de vez.. E basta de assanhar sustos. As famílias merecem respeito. Como diz Wilde: Convém ser moderado em tudo, até na moderação. O que também se aplica às preocupações dos amigos dos nossos enfermos. A eles e aos seus carecemos de alimentar a fortaleza; nunca, imoderados no zelo, aprofundar-lhes a aflição.” Realmente, convém ser moderado até na moderação. Pense nisso.

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