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Opinião

FURA-FILAS

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Por Editorial | Edição do dia 22/01/2021

Matéria atualizada em 21/01/2021 às 22h18

No último domingo, com o esperado aval da Anvisa, a CoronaVac, imunizante produzido pelo laboratório chinês Sinovac, em parceria com o Instituto Butantan, começou a ser aplicada no Brasil. Na terça-feira, todos os estados já haviam recebido a vacina e iniciado a imunização. Com isso, o país já superou a marca de 100 mil vacinados contra Covid-19.

Até o momento, a CoronaVac é o único imunizante contra o coronavírus disponível no Brasil, e as doses disponíveis da vacinas, 6 milhões, não são suficientes para cobrir todo o grupo prioritário. O Plano Nacional de Imunização estabelece que há 14,9 milhões de pessoas que precisariam ser vacinadas na primeira fase. As doses disponíveis só conseguem imunizar pouco mais de 2,8 milhões de pessoas. Com poucas doses e muita gente na fila, os governos estaduais e municipais estão restringindo o público-alvo, pelo menos até a chegada de novas doses. Se o início da vacinação trouxe alívio e esperança para a população, por outro já começaram a pipocar denúncias de pessoas que se aproveitaram de sua influência política ou econômica para simplesmente “furar a fila”. Em pelo menos 11 estados e no Distrito Federal, políticos, empresários e funcionários públicos receberam doses da CoronaVac mesmo não sendo parte dos grupos prioritários definidos pelos governos federal e estaduais. Agora, o Ministério Público de cada estado apura se houve irregularidade nas condutas, com a fila de grupos prioritários sendo “furada”. Ontem, a vacinação foi suspensa em Manaus, após denúncias de que duas médicas, parentes de empresários locais, tenham tido preferência na vacinação; e em Tupã, no interior de São Paulo, após um integrante da irmandade que administra a Santa Casa ser vacinado. Trata-se, sem dúvida, de algo muito grave. Como a quantidade de vacinas ainda é muito pequena para atender à demanda, é preciso seguir rigorosamente o protocolo elaborado pelo Ministério da Saúde, sem privilégios. A prática do jeitinho, nesse caso, precisa ser combatida, e os responsáveis, punidos.

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