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Opinião

Pandemia e o horário flexível no trabalho

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Por João Custódio. diretor da Fortus RH | Edição do dia 22/01/2021

Matéria atualizada em 21/01/2021 às 22h19

Há um enorme contingente de trabalhadores que rende mais fora da jornada tradicional. A pandemia acelerou o home office e abriu espaço para maior flexibilização nas relações de trabalho, dentro do conceito da chamada Sociedade B, na qual eu me incluo.

O sistema é baseado na cronobiologia, ciência que estuda o relógio biológico que aponta a existência de um considerável contingente de indivíduos com produtividade superior em horários diferentes do comercial para o trabalho e estudo. Eu rendo mais a partir das 10h e fico ativo para além das 22h. E não sou o único. O mundo global exige gente a postos em todo o Planeta, sem a rigidez do relógio. Saúde e tecnologia da informação já atuam neste formato. O B-society nasceu na Dinamarca em 2006 e timidamente chegou ao Brasil em 2012, desafiando a ditadura das jornadas convencionais das 8h às 18h. A Universidade de São Paulo, à época, até disponibilizou teste para detectar o perfil biológico de estudantes por entender que cada organismo é singular. A Suécia, primeira a reconhecer a legitimidade do modelo, criou a escola de ensino médio das 20h às 8h com bons resultados. Estes são alguns argumentos do artigo da nossa analista de RH, Sheila Miguez, apresentado com destaque no curso de Gestão de Recursos Humanos. Como gestores temos que lidar com a realidade e nos adaptarmos a ela. Além de um melhor aproveitamento dos trabalhadores, a adoção do sistema não implica em custos adicionais com horas extras ou noturnas, desde que respeitado o limite legal de 44 horas semanais e a carga horária diária de 22h. Além de maior produtividade, teríamos o uso mais racional das estruturas físicas urbanas e das empresas com repercussão direta no fluxo de trânsito. Também abriria espaço para o crescimento dos atuais e novos negócios no comércio, alimentação, entretenimento, educação e serviços em geral por parte de empreendedores que, como eu, enquadram-se nesse cronotipo. O mundo corporativo é dinâmico e mutante e o B-society mudaria o paradigma de que todos somos iguais e seguimos as mesmas regras. Está no passado a tradicional sociedade industrial que reunia trabalhadores ao mesmo tempo num mesmo espaço. O trabalho está posto. Basta desempenhá-lo com eficiência e com entregas. A epidemia virou a chave e está mudando a rotina das pessoas e das empresas.

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