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Maceió,
Nº 5749
Opinião

DESINDUSTRIALIZAÇÃO EM MARCHA ACELERADA E A GRAVE SITUAÇÃO DA ENGENHARIA

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Por José Manoel Ferreira Gonçalves - engenheiro | Edição do dia 09/02/2021

Matéria atualizada em 09/02/2021 às 09h00

Com o encerramento de suas três fábricas remanescentes no Brasil, a Ford escancarou a gravidade de um quadro econômico que se mantém preocupantemente inalterado nos últimos anos: estamos mergulhados em um acelerado processo de desindustrialização, com fuga de investimentos e queda acentuada no nível de emprego qualificado. Sem representatividade e apartada de qualquer movimento em prol de um projeto nacional de reconstrução da indústria, a Engenharia sofre silenciosa os reflexos desse desmantelamento da cadeia produtiva, da qual as montadoras sempre foram protagonistas. Mais de 20% do PIB industrial brasileiro é representado pelo setor automotivo.

O fechamento das fábricas da Ford é um duro golpe num mercado que já se encontrava combalido. Setores diretamente ligados à produção automotiva, como o de autopeças, já estão à míngua e serão os primeiros a sentirem o impacto da decisão tomada pela matriz da companhia norte-americana, que, de imediato, anunciou a demissão de milhares de funcionários, incluindo todos os 830 que trabalhavam na planta de Taubaté. Segundo a Anfavea, em junho de 2018 o setor empregava mais de 112 mil pessoas em todo o Brasil. Com forte presença na indústria automotiva, os engenheiros mecânicos e metalúrgicos são os mais afetados quando uma indústria como a Ford decidiu fechar as portas. Estima-se que 10% dos profissionais registrados no sistema do Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (Confea) pertençam a essa modalidade. Hoje, eles são o retrato de um País que, ao contrário do que acontece em nações desenvolvidas, conta cada vez menos com engenheiros em sua base de emprego formal. Nos Estados Unidos, por exemplo, um engenheiro é contratado a cada 30 segundos, conforme pesquisa da Kelly Services, empresa global de recursos humanos. Engenheiros mecânicos e industriais estão entre os mais requisitados, ao lado do engenheiro de softwares. Estamos formando engenheiros como nunca antes, mas o emprego formal para a categoria permanece em níveis muito abaixo do esperado – e essa não é uma realidade apenas na indústria automotiva. A debandada de investimentos e empregos para o Exterior só agrava essa situação. Não podemos assistir à derrocada da indústria nacional de camarote. É preciso reagir! Ao contrário do que disse recentemente a autoridade máxima do País, não estamos quebrados. O Brasil possui recursos para investir em infraestrutura, com poupança interna robusta, balança comercial positiva e reservas cambiais de US$ 359 bilhões. A crise é de gestão e de ausência de um projeto para o país ser grande novamente, com a participação efetiva da Engenharia.

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