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Opinião

Sociedade de ditadores

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Por Caroline Pestana – escritora (@carolinepestanaoficial) | Edição do dia 20/03/2021

Matéria atualizada em 19/03/2021 às 20h27

O que é um ditador? Muitos podem perguntar. Tecnicamente falando, a palavra é usada para descrever um governante absolutista ou autocrático que assume solitariamente o poder sobre o Estado, comumente em violações aos direitos humanos.

Historicamente associamos a palavra a ditadores famosos como Mussolini, Hitler, Bonaparte e Stalin, que causaram tantas mortes. Muito se questiona sobre quanto horror e sofrimento poderia ser evitado se estes homens não tivessem chegado ao poder. Mas quem poderia imaginar uma sociedade de ditadores? Uma sociedade em que cada homem é um potencial ditador, com as características mais graves daqueles historicamente estudados, genocidas intolerantes a qualquer opinião que divirja de sua verdade universal. Cada uma destas pessoas com a capacidade de destruir milhares, escondidas por tantos anos no anonimato de vidas pacatas e distantes de qualquer poder. Mas eis que veio o herói, o Messias enviado para libertar uma sociedade de ditadores e empoderá-los. Ao alcançar o poder máximo, seu primeiro ato foi partilhar o poder. Carta branca ao ódio, seja feita a vontade individual e sobreponha-se o que conseguir falar mais alto. Gritem e ensurdeçam aqueles que não lhe apoiarem, desmereçam aqueles que o contrariarem e destruam aquele que atente contra seu poder. Eles comemoraram e celebraram, e por muitos anos desfrutaram da destruição de seus inimigos, até que um dia tornaram-se inimigos entre eles. O Messias tinha a palavra, e cada ditador individual respeitava o ditador supremo, que estabelecia os padrões a serem seguidos. Mas um dia o Messias faleceu, e em meio a muita comoção e tristeza, os ditadores passaram a divergir em suas opiniões. Alguns, mais fortes e com melhores condições, se alçaram na tentativa de ser o novo líder, mas a nação estava dividida entre as opções, e cada ditador virou-se contra os outros, iniciando guerras sem fim. No fim, o fruto de tanto ódio foi, como era de se esperar, colheita de sangue. Pois um mundo de ditaduras é um mundo de guerra, e quando ninguém se abre para a diversidade de opiniões e existências, sobrevive apenas o igual. Em um mundo de semelhantes raivosos e sanguinários é apenas questão de tempo até que cada homem mate a si próprio no reflexo do ódio, e um por um, extermine a humanidade dentro de seu pequeno poder.

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