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Opinião

PEQUENOS VULNERÁVEIS

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Por Editorial | Edição do dia 10/06/2021

Matéria atualizada em 09/06/2021 às 22h53

Segundo estudo do Unicef, o Fundo das Nações Unidas para a Infância, e a Organização Internacional do Trabalho, pela primeira vez em décadas o número de vítimas do trabalho infantil aumentou e já atinge 160 milhões de crianças pelo mundo. A crise, porém, pode ser ainda mais profunda diante do impacto da pandemia.

Na avaliação das entidades, os choques econômicos e o fechamento de escolas causados pela pandemia significam que as crianças já em situação de trabalho infantil podem estar trabalhando mais horas ou em condições piores, enquanto muitas outras podem ser forçadas às piores formas de trabalho infantil devido à perda de emprego e renda entre famílias vulneráveis. Em geral, esse problema ocorre em famílias que já viviam em dificuldade antes da pandemia, mas muitas pessoas perderam o emprego; outros continuaram trabalhando, mas com a renda reduzida. A situação foi se agravando e o impacto entre crianças e adolescentes piorou. Além da perda de trabalho, são pessoas que enfrentam empecilhos até para serem beneficiadas pelos programas governamentais. Para especialistas, a entrada precoce e precária no mercado de trabalho pode levar ao abandono dos estudos. Outros levantamentos já mostram que muitos adolescentes dizem que não pretendem voltar à escola quando as aulas presenciais forem retomadas, e há os que desistiram de fazer Enem. Na avaliação dos educadores, o afastamento da escola traz mais prejuízos do que a perda de aprendizado, pois abre espaço para outras violências, pois a escola, além de ser um espaço de aprendizagem, é um espaço de proteção e acesso a outros serviços. Como forma de enfrentar a situação, especialistas defendem que o poder público, nas diferentes esferas, promova uma “busca ativa” das famílias em situação de vulnerabilidade para que elas possam ser inseridas nos programas de assistência social. É necessário manter programas de transferência de renda de médio e longo prazo e outras formas de apoio a essas famílias para que elas possam se inserir ou permanecer no mercado de trabalho e evitar que crianças tenham de largar a escola para ajudar no orçamento doméstico..

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