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Política

‘RUPTURA RADICAL DO TERRENO É POSSIBILIDADE REMOTA’

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Por arnaldo ferreira | Edição do dia 01/08/2020

Matéria atualizada em 31/07/2020 às 21h44

Com relação ao risco de um colapso (afundamento) radical nos quatro bairros afetados pelos desmoronamentos, o professor Abel Galindo disse que seus cálculos relativos à movimentação de massa e de acordo com relatórios que teve acesso de organizações e universidades internacionais, demonstram que é remota a possibilidade de uma ruptura radical na superfície. “Eu concordo com esses relatórios. A movimentação e desmoronamento diminuíram, existem camadas boas de rocha a partir de 500 e 600 metros em direção a superfície”. Ao descartar o colapso radical demonstrou concordar também com a Defesa Civil, que recomenda a evacuação dos moradores das áreas afetadas por conta dos danos nos imóveis e novos “afundamentos” do solo. Na região entre Mutange e Bebedouro, próximo a Lagoa Mundaú, os cálculos do pesquisador indicam “afundamento” superior a dois metros. “As moradias dessas regiões ficaram inviáveis por conta dos aumentos das rachaduras”. Também descartou a possibilidade de o bairro do Pinheiro afundar abruptamente como teme moradores e especuladores. “Existem estudos que indicam o aparecimento de uma fenda grande. Mas isto ainda carece de prova científica. A terra, nesta área, continua se movimentando e deformando os imóveis, quanto a isto não há dúvida”, enfatiza. Na avaliação do cientista, o problema já chegou próximo da Avenida Fernandes Lima, a principal via de ligação aos bairros da parte alta da cidade. “Tenho conhecimento de imóveis próximos a avenida [Fernandes Lima] que estão rachados. Por isso, é necessário investigar com equipamentos. Percebo também que em breve boa parte das áreas afetadas será desocupada porque a região está atingida, com impacto nos imóveis. O movimento de massa ocorre de forma horizontal. Tem vários relatórios neste processo apontado este movimento”. Os relatórios do Serviço Geológico do Brasil e de empresas contratadas pela própria Braskem, dentre eles o de uma empresa da Alemanha, também confirmam a necessidade de evacuar e indenizar os proprietários de imóveis que sofrem com os impactos nos quatro bairros. “As indenizações são obrigações da empresa que causou o problema nas comunidades”, destacou o pesquisador Abel Galindo.

TREINAMENTO

O novo treinamento do Exército para situação de catástrofe geológica e deslizamento de terra será numa área com vários prédios demolidos pela Defesa Civil no bairro do Pinheiro. O treinamento será para coordenar ações de socorro e remoção de moradores em situação trágica. A notícia desta ação do Exército provocou alvoroço nos bairros afetados pela mineração da Braskem. A população soube do treinamento na área crítica e mobilização de órgãos federais, estaduais, municipais através de especulações dando conta do aumento da gravidade dos problemas geológico da região. O susto chegou a tal ponto que o comandante do 59º Batalhão de Infantaria Motorizada, coronel Cláudio Gadelha Fernandes, convocou lideranças comunitárias, autoridades, coordenadores da Defesa Civil para explicar detalhes do treinamento envolvendo vários órgãos das três esferas de governo.

A ação cumprirá protocolo de atividade sincronizadas de socorro para casos de acidentes de qualquer proporção. “O treinamento é uma atividade de integração dos órgãos. Não está relacionado só aos problemas dos bairros”, esclareceu e tranquilizou o comandante do 59º Batalhão de Infantaria Motorizada, através da assessoria de comunicação.

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