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Política

VEREADOR MAIS VOTADO DIZ QUE NÃO VAI ADMITIR “RACHADINHA”

Fábio Costa recebeu mais de 12 mil votos e diz que atuará como vereador e delegado na fiscalização dos recursos públicos

Por arnaldo ferreira | Edição do dia 21/11/2020

Matéria atualizada em 20/11/2020 às 21h23

Fábio Costa falou sobre o que planeja para o seu mandato durante entrevista na TV Mar
Fábio Costa falou sobre o que planeja para o seu mandato durante entrevista na TV Mar | Patrícia Barros

O campeão de votos para a Câmara Municipal de Maceió, o vereador eleito delegado Fábio Costa (PSB), com 12.038 votos, em sua primeira entrevista exclusiva concedida aos jornalistas Wyderlan Araújo e Arnaldo Ferreira, na TV Mar, foi taxativo ao afirmar que não vai admitir “rachadinha” [ficar com parte de salários dos servidores] em seu gabinete da Câmara de Vereadores. Garantiu que atuará como vereador, como delegado e na fiscalização dos recursos públicos. Ao revelar detalhes da vida pessoal disse que já morou em favela no Recife e discordou da tese de que “que Bandido Bom é Bandido Morto”. Revelou ter sido perseguido quando atuava como delegado de Combate ao Crime Organizado e investigou supostos poderosos. Mas, não nominou quem do governo o perseguiu. Com uma densidade eleitoral considerada surpresa nos bastidores políticos, revelou que utilizou a mesma estratégia política do candidato a prefeito do Partido, JHC, e se comunicou com os eleitores via rede social. Manteve também o contato corpo a corpo. Na campanha ressaltou o seu trabalho de combate ao crime organizado que resultou numa perseguição vela que o afastou da delegacia de Combate ao crime organizado. Ele agora promete combate o crime, sem ouve, contra o dinheiro público. Disse que a principal estratégia da campanha foi “falar a verdade. Não precisei criar personagem, nem mudar o Fábio Costa delegado de Polícia, do Combate ao crime organizado e fomos às ruas com transparência”. Ao ser questionado a respeito de crimes eleitorais registrado pela justiça eleitoral como boca de urna, aliciamento de eleitores e outros crimes garantiu que não comprou voto. “O nosso eleitor é o espontâneo, consciente. A gente não fez nenhuma promessa que eu não possa cumprir. Infelizmente, é uma realidade a existência do voto de cabresto. É um mal que precisa ser combatido. A corrupção começa aí. Quando ele [candidato] gasta milhões de Reais para se eleger não há outro caminhão que não a corrupção para esse tipo de candidato reaver o dinheiro gasto. Percebi que a corrupção começa na campanha eleitoral porque a conta não fecha com o salário de vereador”. Com relação a perseguição que teria sofrido pelo governo do estado ao investigar supostos influentes e envolvidos com corrupção disse que “o que tentaram fazer comigo por conta do destaque do trabalho de combate ao crime organizado, sobretudo porque algumas investigações incomodavam algumas pessoas e acho que isto culminou com a minha exoneração da Delegacia de Combate ao Crime Organizado. Mas, com a minha eleição, vejo que este foi um tiro que saiu pela culatra...”. Ele declarou voto ao candidato JHC que é do mesmo partido.

EXEMPLO

Ao ser questionado a respeito do enfrentamento ao crime organizado onde se deparou com quadrilhas bem estruturas e agora eleito como será o comportamento em relação às chamadas “rachadinhas” [ficar com metade dos salários de servidores comissionados] e outros supostos “esquemas” que envolveriam dinheiro público? O delegado respondeu que “tenho que dar um exemplo grande justamente por conta das minhas bandeiras: da seriedade, da transparência, da ética. A gente não vai tolerar qualquer tipo de desvio de conduta dentro do nosso gabinete. O exemplo começa dentro de casa [Gabinete]para que a gente possa fiscalizar a aplicação dos recursos públicos, eventuais denúncias, esquemas. Não posso afirmar que isso acontece. Mas, para fiscalizar a gente tem que dar o exemplo”. Depois de conhecer a periferia pobre da cidade, o vereador foi questionado se comungava da tese conservadora de que “Bandido Bom é Bandido Morto”, respondeu que “ nunca pensei assim. Para mim, bandido não é bom e nem morto. Bandido não é bom para a sociedade. Não fui para nenhuma operação com a finalidade de ter uma conduta de afronta. Pelo contrário. Os policiais quando sai para determinadas operações eles vão para prender, capturar determinadas pessoas e levá-los às barras da justiça. Eventualmente, quando um determinado cidadão reage de maneira injusta a ação legítima da Polícia, nós temos que agir de maneira proporcional”. Ao ser lembrado que “ninguém nasce bandido” e ao ser questionado se pensava em desenvolver trabalho para evitar que as pessoas venham a delinquir, respondeu que “acho que parte da criminalidade nasce dos maus gestores, da má política, da corrupção, dos desvios dos recursos públicos”. Citou como exemplo o caso de uma determinada rua sem asfalto, sem iluminação se segurança “ isto gera facilidade para a criminalidade. Onde falta o Poder Pública há maior proliferação de pessoas do mundo do crime. Meu posicionamento é que a pessoa entra para o mundo do crime por uma questão de escolha”. Explicou que já investigou determinados pessoas que foram criados do mesmo modo e apenas alguns foram para o mundo do crime e os irmãos não se envolveram com ilícitos. Considerou ser possível mudar cenário de extrema miséria como o da orla da Lagoa Mundaú em Maceió. “Isto é perfeitamente possível. Basta interesse público. Acho que não falta recursos, dinheiro, por isso acho que só falta compromisso com a sociedade, com os cidadãos e o cidadão eleito não esquecer as campanhas, as andanças, as caminhadas, as conversas com os eleitores e do compromisso que tem de ser mantido com aquele que precisa do bom uso do dinheiro público”.

PODEROSOS

Afirmou que “a nossa campanha foi absolutamente independente. Não tivemos apoio ou participação de nenhum poderoso. Não devemos o nosso mandato a nenhum político. Devemos o nosso mandato aos cidadãos, aos eleitores que confiaram neste projeto. Foi a população que me colocou na Câmara dos Vereadores e confiou num candidato diferente que não tem sobrenome famoso da política e que está estreando na política”. Ao falar de si revelou que “o cidadão Fábio Costa nasceu na periferia. Já morei em barraco. Meu pai faleceu quando tinha 17 anos. Morei numa área violenta, em Jaboatão dos Guararapes, em Recife. Depois da morte do meu pai fiz o concurso e passei para o Corpo de Bombeiros de Alagoas, em 2002, fui soldado, cabo, sargento, fiz a faculdade de Direito. Estudei e passei no concursos para o cargo de delegado da Polícia Civil, trabalhei no sertão, depois coordenador da delegacia de Homicídios, diretor da Deic e de forma inexplicada fui exonerado sem qualquer motivo. Minha trajetória na polícia acabou sendo minada. Mas continuo sendo delegado de Polícia daí o coloquei meu nome a disposição para que os maceioenses pudessem me dar um voto de confiança. E houve esta votação. Minha responsabilidade só cresce e não posso frustrar a confiança depositada em mim”. Com relação as especulações que o apontam como um possível candidato às eleições gerais de 2022 quando serão disputados cargos de deputado estadual, federal, uma cadeira de senador e de governador, respondeu que neste momento o projeto é fiscalizar a aplicação dos recursos públicos no âmbito municipal. “Não tenho nenhum plano para 2021. Mas há poucos meses também não tinha plano para ser vereador. O dia de amanhã pertence a Deus”, E com relação as especulações que o apontam como um possível candidato ao governo do estado deixou mais interrogações. “O nosso futuro pertence a Deus. Não tenho plano para 2022. Esta é uma discussão para o devido momento. Agora é atender as expectativas dos que me elegeram”.

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