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Política

ALAGOAS É O SEGUNDO ESTADO QUE MAIS ELEGEU PREFEITAS NO PAÍS

Mesmo assim, o número de candidatas eleitas é praticamente o mesmo do pleito de 2016

Por thiago gomes | Edição do dia 21/11/2020

Matéria atualizada em 20/11/2020 às 21h49

Eleitores foram às urnas com quantidade de candidaturas femininas 6% maior que o registrado no pleito anterior
Eleitores foram às urnas com quantidade de candidaturas femininas 6% maior que o registrado no pleito anterior | Divulgação

Alagoas é o segundo estado que mais elegeu prefeitas (21,8% do total). Mesmo assim, o número de candidatas eleitas é praticamente o mesmo do pleito de 2016 – passou de 21 para 22 (singelo aumento de pouco mais de 4%). A quantidade de candidaturas femininas já era 6% maior do que o registrado no pleito anterior. Foram eleitas, para a gestão municipal, Ceci Rocha (PSC), em Atalaia; Livia Carla (PTB), na Barra de Santo Antônio; Marina Dantas (MDB), em Batalha; Paula Santa Rosa (MDB), em Belém; Lucila Toledo (PODE), em Cajueiro; Decele Dâmaso (MDB), em Coqueiro Seco; Ziane Costa (MDB), em Delmiro Gouveia; Rosiana Beltrão (PP), em Feliz Deserto; Silvana (PP), em Flexeiras; Néa Do Geo (MDB), em Ibateguara; Dona Vera Dantas (MDB), em Igreja Nova; Tainá Veiga (PP), em Lagoa da Canoa; e Conceição Albuquerque (PTB), em Maravilha. Também venceram Leopodina Amorim (PSD), em Maribondo; Marcela Gomes (PL), em Novo Lino; Suzy Higino (PP), em Olho d’Água Grande; Denyse de Dona Telma (PSB), em Ouro Branco; Eronita (PSD), em Porto Calvo; Dra Christiane Bulhões (MDB), em Santana do Ipanema; Ângela Vanessa (PP), em São José da Laje; Fernanda Cavalcanti (MDB), em São Luís do Quitunde; e Jeane Moura (MDB), em Senador Rui Palmeira. Apesar deste avanço, na capital, as mulheres nem se aproximaram do segundo turno na majoritária e reduziram a representatividade na Câmara, mesmo com a quantidade de vagas maior. Para o legislativo de Maceió, das 25 cadeiras disponíveis a partir de 2021, só quatro serão ocupadas por mulheres, sendo uma reeleita – Silvânia Barbosa (PRTB) – e três delas novatas – Gaby Ronalsa (DEM), Teca Nelma (PSDB) e Olívia Tenório (MDB). Mesmo pisando na Câmara pela primeira vez como edis, elas já tinham um pé na política. Gaby é irmã do deputado estadual Dudu Ronalsa (PSDB) e filha do ex-vereador Carlos Ronalsa. Teca é filha da deputada estadual e ex-vereadora Tereza Nelma (PSB); e Olívia é filha do deputado estadual Francisco Tenório (PMN). Teca é a vereadora eleita mais jovem da capital. A estudante, de 21 anos, diz que foi bastante questionada, ao longo da campanha, se pela pouca idade teria experiência e conhecimento para tocar um mandato eletivo. “Não só por ser nova, mas por ser mulher, porque eu tinha outros colegas homens, que eram candidatos, da minha mesma idade, e nenhum deles tiveram tantas indagações como eu tive. Perguntavam se eu, eleita, poderia fazer alguma coisa, se eu sabia o que era projeto de lei, se eu sabia o que estava fazendo, se realmente era o que eu queria. E eu tinha que explicar todas as vezes que eu era competente, apesar da minha idade”, comentou. A futura vereadora diz lamentar o baixo desempenho das mulheres nas urnas. “Fiquei muito triste com este resultado. A gente sempre chega quase lá e nunca alcança o objetivo. Só tivemos uma prefeita em toda a história desta cidade (Maceió), uma deputada federal, cinco deputadas estaduais, entre 27 e, agora, quatro vereadoras em um universo de 25”, comenta. Ela revela que, no mandato, pretende inserir o público feminino em todas as ações que defende. “Não quero criar uma política só para as mulheres, mas quero que elas sejam incluídas em todas as políticas públicas, que seja uma política transversal e as mulheres estejam em todas elas”. Gaby Ronalsa foi a mais votada da bancada. Obteve 7.549 votos e sustenta o discurso de a representatividade feminina deve ser proporcional à masculina. Advogada, aos 35 anos assume o primeiro mandato, mas já trabalhava assessorando juridicamente o irmão, na Assembleia Legislativa, e acompanhava o pai quando era vereador. “Fiquei muito triste com a quantidade pequena de mulheres eleitas. Foi uma luta na campanha inteira pedindo mais mulheres, que fossem escolhidas mulheres também. Não desprezando os homens, mas nós temos mais sensibilidade no olhar. Precisamos ter esta representatividade feminina, não apenas nas Câmaras, mas na Assembleia Legislativa, no Congresso Nacional”. Mesmo na disputa, ela disse que estava torcendo por várias candidatas no sentido de ampliar a bancada feminina na próxima legislatura. “Eu queria mais, pelo menos a metade de mulheres eleitas. Mas, tenho amizade com a Olívia, já conversamos e vamos nos unir com as demais para montar uma bancada feminina atuante em prol dos interesses da comunidade”. Com votações expressivas, o coeficiente partidário deixou de fora algumas mulheres que já fizeram história na Câmara de Maceió. Fátima Santiago (PP) teve 5.690 votos e Simone Andrade (DEM) terminou com 3.776, mas ficaram como suplentes de seus respectivos partidos. Já a ex-senadora e ex-vereadora Heloisa Helena (REDE) obteve 5.267 votos, mas como a legenda não alcançou a margem de votação, a candidata ficou na condição de não eleita. No Brasil, apenas 12% dos prefeitos eleitos no primeiro turno das eleições deste ano são mulheres, segundo os dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Isso significa que, a cada 10 prefeitos eleitos, apenas um foi do sexo feminino. Não houve mudança em relação à proporção de mulheres que foram eleitas para o Executivo no primeiro turno das eleições de 2016.

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