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Política

JOE BIDEN ASSUME PRESIDÊNCIA DOS EUA COM DISCURSO DE PAZ

Sucessor de Trump na Casa Branca assume uma nação dividida e devastada por uma pandemia que já matou mais de 400 mil

Por Folhapress | Edição do dia 21/01/2021

Matéria atualizada em 20/01/2021 às 21h10

Cerimônia de posse de Biden não contou com a presença de Trump; o republicano não aceitou totalmente a sua derrota
Cerimônia de posse de Biden não contou com a presença de Trump; o republicano não aceitou totalmente a sua derrota | ANDREW HARNIK

Washington, EUA - Em uma Washington sitiada, Joe Biden fez seu juramento em frente ao Congresso americano nesta quarta-feira (20) e tomou posse como o 46º presidente dos EUA, colocando fim à era Trump. O democrata, segundo presidente católico na história do país, jurou sobre a Bíblia, como é tradição nos EUA, diante do presidente da Suprema Corte americana, John Roberts. A cerimônia não contou com a presença de Donald Trump – o republicano não aceitou totalmente sua derrota e se tornou o quarto presidente da história do país a não comparecer à posse do sucessor, o que não acontecia há 152 anos. Biden assume uma nação dividida e devastada por uma pandemia que já matou mais de 400 mil pessoas nos Estados Unidos. Seus principais desafios serão recuperar a economia, controlar o coronavírus e pacificar um país ameaçado pelo terrorismo doméstico. O democrata fará um discurso e depois seguirá para a Casa Branca, onde assinará uma série de ordens executivas que pretendem marcar a mudança de direção de seu governo em relação ao antecessor, afastando-se do populismo e do radicalismo autoritário de Trump e revertendo medidas do republicano. De saída, Biden quer colocar os EUA de volta à OMS (Organização Mundial da Saúde) e ao Acordo Climático de Paris. Promete também vacinar 100 milhões de americanos contra a Covid-19 em 100 dias e aprovar o plano de recuperação econômica no valor de US$ 1,9 trilhão (cerca de R$ 10 trilhões). O montante inclui US$ 400 bilhões (R$ 2,1 bilhões) para o combate ao vírus, além de pagamento direto aos americanos, auxílio a desempregados, pequenas empresas, e a estados e municípios. Biden também quer suspender o banimento de entrada nos EUA a viajantes de alguns países de maioria muçulmana, parar a construção do muro na divisa com o México, símbolo inacabado do governo Trump, impedir a separação de famílias na fronteira e abrir caminho para que milhões de pessoas que vivem nos EUA sem documento tenham cidadania americana. Depois do juramento e posse, Biden passa as guardas em revista, num gesto que busca sinalizar a transição pacífica de poder para o novo comandante-chefe, e visita, ao lado de outros ex-presidentes americanos –Bill Clinton, George W. Bush e Barack Obama–, o Cemitério de Arlinton, em uma homenagem ao Soldado Desconhecido, memorial a militares sem identificação mortos em combate. Desta vez, a parada na avenida Pensilvânia, em Washington, e o baile de inauguração, tradicionais da posse, serão substituídos por eventos virtuais ou transmitidos ao vivo pela TV. As credenciais inéditas do novo governo incluem Kamala Harris, a primeira mulher negra a ocupar a Vice-Presidência americana e que vai exercer papel definitivo no que se tornou o principal desafio de Biden nos próximos anos: conseguir, de fato, governar. O Partido Democrata tem maioria na Câmara, e Kamala terá direito ao voto de desempate no Senado, mas a frágil maioria numérica não é suficiente para aprovar todas as medidas –por isso as ordens executivas, que driblam o Congresso mas podem ser questionadas na Suprema Corte, por exemplo. Biden escolheu a vice em um aceno simbólico para conquistar dois grupos de eleitores muito importantes na disputa do ano passado, negros e mulheres, mas também sinalizou que, por sua idade avançada, não deve concorrer à eleição, o que abre caminho para Kamala ser a candidata democrata em 2024. Na política há 48 anos, como vereador, senador e vice-presidente nos dois mandatos Obama, Biden sabe que terá de lançar mão de seu perfil moderado e sua conhecida habilidade conciliatória para negociar com os dois lados do tabuleiro em meio à radicalização insuflada por Trump. Ao contrário do clima festivo das posses presidenciais americanas, a cerimônia desta quarta foi marcada pela segurança sem precedentes e atos simbólicos, devido às restrições impostas pela pandemia e às ameaças de protestos e atos violentos contra a inauguração do democrata.

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