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Política

COLLOR VÊ MERCOSUL COMO FUNDAMENTAL NO PÓS-PANDEMIA

Sessão especial no Senado debateu os desafios e perspectivas do bloco após 30 anos do seu início

Por Jonathas Maresia | Edição do dia 24/04/2021

Matéria atualizada em 23/04/2021 às 20h46

Durante sessão temática no Senado, Collor reforça papel do Mercosul na redução das desigualdades sociais pós-pandemia
Durante sessão temática no Senado, Collor reforça papel do Mercosul na redução das desigualdades sociais pós-pandemia | Agência Senado

O sucesso, avanços, desafios e perspectivas do Mercosul foram debatidos, na tarde de sexta-feira (23), em sessão temática realizada no Senado Federal, proposta pelo senador Fernando Collor (PROS). Coube a ele, como presidente da República, assinar o Tratado de Assunção e inserir o Brasil na principal iniciativa da política externa brasileira desde a redemocratização. Na avaliação de Collor, o Mercosul “revitalizado” terá um papel importante na redução das desigualdades sociais pós-pandemia.

Collor afirmou que a dinamização econômica proporcionada pela implementação de um novo ciclo de integração ao exterior será fundamental para a revitalização do bloco regional e da participação do Brasil na economia mundial. O parlamentar destacou que esse processo será importante diante das imensas dificuldades econômicas e sociais que se avizinham, herança da crise sanitária em curso.

“A situação nos exige coragem e urgência. Coragem para persistir no aprofundamento do Mercosul, discutindo e negociando caminhos para as dificuldades significativas que o bloco enfrenta, tanto do ponto de vista técnico quanto político. Urgência para vermos plenamente realizado o papel estratégico que hoje, assim como há 30 anos, o Mercosul tem a desempenhar no desenvolvimento econômico, na redução das desigualdades sociais e na construção de um projeto nacional pós-pandemia. O Brasil tem pressa”, expôs o parlamentar durante a sessão. Collor apontou que, diante da virtual paralisia das negociações comerciais multilaterais, entende que a estratégia com maior chance de efetividade para a ampliação do comércio internacional é por meio do adensamento da rede de acordos extra-regionais do Mercosul. De maneira acertada, disse ele, o bloco voltou a priorizar, nos últimos anos, sua vocação comercial original. “Persegue seu fortalecimento hoje por meio de agressiva agenda de negociações, dentre as quais se destaca o pilar econômico-comercial do Acordo de Associação com a União Europeia. Os números superlativos dessa integração são amplamente conhecidos. Uma vez implementado, o acordo formará a segunda maior área de livre comércio do mundo, abarcará um quarto da economia mundial, com um PIB superior a 20 trilhões de dólares e mercado consumidor próximo a 800 milhões de pessoas”, expôs o ex-presidente, ressaltando que será uma associação histórica. “Será o acordo comercial de maior importância já concluído tanto por nós quanto pelos europeus, resultado de duas décadas de discussões. Mas teremos um penoso caminho a percorrer até a sua concretização”, reforçou o senador.

A sessão que debateu os 30 anos do bloco contou com a presença do ministro da Economia, Paulo Guedes, e do ministro das Relações Exteriores, Carlos França. Também participaram a ex-ministra Zélia Cardoso de Mello e o ex-ministro Francisco Rezek, que integraram o governo à época da assinatura do Tratado de Assunção, que estabeleceu o Mercosul em março de 1991.

MODELO

O ministro Paulo Guedes lamentou que o Brasil pós-governo Collor não tenha dado sequência ao fortalecimento do Mercosul.

“Se tivéssemos seguido e perseverado com essa capacidade de antevisão que o presidente Collor e a sua equipe tiveram, com essa visão de integração regional entre os países, realmente o Brasil poderia estar hoje em outra posição muito melhor. Parabenizo o senador Collor pelo lançamento do Mercosul e acredito que devemos seguir esse caminho iniciado em 1991”, disse Guedes.

O ministro das Relações Exteriores, Carlos França, reconheceu o importante papel que Collor teve para consolidar o bloco do Mercosul. O chanceler avalia também que o Tratado de Assunção foi a conclusão de um processo de superação da rivalidade do Brasil com os nossos vizinhos, por uma visão baseada na cooperação regional. “A atuação de Collor foi determinante na criação do Mercosul, tal como o conhecemos. A assinatura do Tratado foi marco fundamental para inserção do Brasil na região e no mundo. No ato, o Brasil deu o mais importante passo em favor da integração da América Latina”, expressou ele.

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