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Política

SINDICATOS COBRAM VACINA, CESTAS BÁSICAS E EMPREGOS NA PANDEMIA

Demandas serão apresentadas durante ato para celebrar a passagem do Dia do Trabalhador, 1º de Maio

Por arnaldo ferreira | Edição do dia 01/05/2021

Matéria atualizada em 30/04/2021 às 20h27

Rilda Alves, presidente da CUT/AL, destaca que um terço da população alagoana precisa de socorro alimentar urgente
Rilda Alves, presidente da CUT/AL, destaca que um terço da população alagoana precisa de socorro alimentar urgente | Kelmenn Freitas

Os líderes dos 152 sindicatos de trabalhadores urbanos e rurais filiados à Central Única dos Trabalhadores (CUT) ocupam neste 1º de maio, à porta do hoje Museu Palácio Floriano Peixoto, antiga sede do governo de Alagoas, na Praça dos Martírios no centro de Maceió, para cobrar do governador Renan Filho (MDB) “socorro emergencial” para mais de 600 mil alagoanos desempregados e em situação de miséria extrema. “O Estado tem o Fecoep (Fundo de Combate à Pobreza) superior a R$ 300 milhões e este dinheiro tem que ser usado para socorrer a população, não pode ser aplicado em obras. As pessoas querem comida e vacina”. O desabafo é da presidente da CUT/Al, Rilda Alves. Alagoas, segundo o IBGE, tem 3,3 milhões de alagoanos e, de acordo com a última pesquisa sobre desemprego, mais 654 mil trabalhadores estão desempregados. Com base em informações da Pesquisa Nacional por Amostra por Domicílio (PNAD) e de pesquisadores como o professor doutor em Economia, Cícero Péricles, a presidente da CUT detalha ainda que entre os desempregados têm: 252 mil trabalhadores, 280 mil desalentados (desistiram de procurar empregos), mais 132 mil do subemprego (bicos). Além dos números oficiais, a CUT estima que em situação de extrema dificuldade de sobrevivência tem mais 200 mil trabalhadores da informalidade e 136 mil trabalhadores sem nenhum tipo de proteção social que são considerados invisíveis por conta do distanciamento da família, sociedade e por falta de trabalho informal. “Esses números mostram que um terço da nossa população precisa de socorro alimentar urgente”, cobra a presidente da CUT/AL.

Rilda afirma que “no Dia do Trabalhador não temos nada para comemorar. Estamos com uma pandemia que matou quase 400 mil brasileiros, dentre eles mais de 4 mil alagoanos. O desemprego aumenta todo dia, os governos federal, estadual e municipais não mostram saída para a população neste momento de desespero da pandemia do coronavírus”. Lembrou ainda que mais de 9,5 mil postos de trabalho foram fechados no primeiro trimestre.

MANIFESTAÇÕES

A CUT planejava uma grande manifestação contra o desemprego, congelamento de salários, sucateamento dos serviços públicos, com o agravamento da pandemia com a elevação assustadora de mortes (mais de 400 mil no Brasil e mais de 4,2 mil em Alagoas) e contaminados, mudou a estratégia. Suspendeu os atos públicos. O 1º de Maio terá ações virtuais, fará intervenções com faixas e cartazes em pontos estratégicos das cidades, campanha solidária de arrecadação de alimentos e ocupação da praça dos martírios para tentar diálogo com o governo estadual. Os sindicalistas tentam falar com o governador para entregar a pauta de reivindicações, mas não conseguem. A campanha de donativos começou ontem, com a arrecadação de alimentos doados pelos Trabalhadores Rurais Sem Terra, assentados da reforma agrária e grupos da agricultura familiar e de outros segmentos sociais. A ocupação da Praça dos Martírios funciona como ponto de articulação e manifestações. “A gente quer chamar a atenção para a fome”. As lideranças tentam se encontrar com o governador Renan Filho para encaminhar uma pauta de reivindicações e o principal pleito são os recursos do Fecoep. O que se quer é que haja investimento imediato na aquisição de alimentos para a população. Ao não receber os sindicalistas da CUT, o governador decepcionou a maioria dos militantes. “Mais da metade dos desempregados não conseguiu receber o auxílio emergencial. A gente insiste que o dinheiro do Fecoep neste momento não pode ser para construção de hospitais, apesar de reconhecer a importância das obras. As pessoas não comem concreto. Precisam de comida”, insiste Rilda Alves. A CUT cobra dos 102 prefeitos ações humanitárias, já que tiveram aumento de 32% nos repasses do Fundo de Participação dos Municípios. “No interior, tem muita gente pedindo alimentos de porta em porta. Algumas prefeituras doam cestas básicas. Mas, os alimentos demoram chegar”. O governador Renan Filho disse recentemente que vai destinar mais de R$ 30 milhões para os municípios agilizarem a vacinação da Covid.

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