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Produção de grãos avança sem ameaçar cultura da cana

Com uma área tecnificada de 12 mil hectares, nas regiões de tabuleiros, cultivo de grãos cresce e conquista novos produtores em Alagoas, que trabalham alinhados com usinas e fornecedores de cana para que não ocorra competição entre as culturas

Por Editoria do Gazeta Rural | Edição do dia 21/11/2020

Matéria atualizada em 20/11/2020 às 15h52

Com um mercado aquecido e um cenário promissor, o cultivo de grãos conquista novos espaços em solo alagoano, atraindo investimentos para o Estado que se torna uma aposta para o segmento, sem deixar de lado a tradição da cultura da cana-de-açúcar. Atualmente, 80% dos grãos que abastecem o mercado alagoano são importados de outros centros produtores, o que incentiva ainda mais a produção local.

Para o produtor gaúcho Alexandre Vecchia, que plantou, este ano, pela primeira vez em Alagoas, na fazenda Mataraca, em uma área de 350 hectares, sendo 270 de milho, 20 de soja e o restante de sorgo, apesar de o cultivo de grãos ocorrer em uma área antes ocupada pela cana-de-açúcar, há espaço para um bom convívio entre as duas culturas. 

“A gente está com projeto piloto com uma usina para que na área de plantio, nas áreas de renovação, a gente possa entrar com grãos. Tem um mercado muito grande para a cana como também para os grãos. Estamos colhendo no momento da entressafra, que ocorre no país. Todos começam a plantar a partir da segunda quinzena de outubro e aqui a nossa colheita ocorre em setembro. No nosso primeiro ano de safra, tivemos todas as nossas expectativas superadas por completo. O clima favoreceu muito para este panorama positivo já que as chuvas pararam e, com isso, o grão não está ardido, estando com uma qualidade muito boa”, reforçou o produtor rural.

Para o presidente da Comissão de Grãos de Alagoas, Hibernon Cavalcante, a rotação de culturas é um processo importante para a agricultura. “O Estado de Alagoas deve muito a cultura da cana. Mas, há a necessidade de se aumentar a produtividade de cana e um desses meios é por meio da rotação de cultura. Seja colocando milho ou soja, esse é o caminho. A tecnologia existe e está sendo difundida com várias pesquisas, além do conhecimento que vem sendo trazido de fora com estes produtores rurais que resolveram investir em Alagoas. Essa troca de experiências vem sendo muito boa para o nosso Estado”, declarou.

Segundo ele, este ano, a área tecnificada de grãos no Estado chega a pouco mais de 12 mil hectares entre milho e soja. “Quando a gente fala tecnificado é quando se tem máquina para plantio e equipamentos ideais, além de adubação perfeita. Quando a gente fala em tecnologia, com o uso por exemplo de transgênico, este cenário já se amplia e chega a quase 40 mil hectares. Consideramos uma evolução. Precisamos acreditar mais na cultura. Os preços estão excelentes e a tendência para o próximo ano continua sendo de estabilidade positivo para o grão”, destacou ele, lembrando que a saca do milho, hoje, por exemplo, está em média de R$ 60. 


Solo e clima, além do uso de tecnologias, são fatores para os resultados positivos obtidos com a produção de grãos em Alagoas
Solo e clima, além do uso de tecnologias, são fatores para os resultados positivos obtidos com a produção de grãos em Alagoas - Foto: Divulgação
 

Milho

Para Cavalcante, além de diversificar, a rotação de culturas, traz benefícios reais ao solo. “Este processo consegue fixar o nitrogênio no solo. Depois pode voltar para sorgo ou o próprio milho. Com essa rotação, a biota do solo agradece, assim como, a incorporação de matéria organiza. Em Alagoas, não há competição entre a cana-de-açúcar e os grãos. Com este trabalho, estamos melhorando a condição do solo para quando ele voltar a receber a cana, a cultura possa ter índices de produtividade melhores que a existente hoje cuja média chega a 50 toneladas por hectare. Esse número não é interessante. Se chegarmos de 80 a 100 toneladas, isso sim seria positivo. Com a rotação, damos condições ao solo para que isso ocorra”, afirmou.

Para o presidente da Cooperativa Pindorama, Klécio Santos, que participou de um dia de campo para mostrar os resultados obtidos com o cultivo de grãos no município de Anadia, o milho é considerado um dos insumos mais importantes para o desenvolvimento da avicultura e da suinocultura, além da produção de leite em Alagoas. “Essa ideia de crescer a área de milho e no futuro de soja é interessante. Afinal, com isso, podemos diversificar as nossas atividades, fazendo a rotatividade culturas. Neste processo, ganha o produtor envolvido em todas as culturas dos grãos e da cana. A rotação é um caminho. Não dá para acabar com a cana para entrar milho e soja. Temos um parque industrial com expertise formada por décadas na atividade sucroenegética. Mas, dá sim para se fazer a ocupação das áreas de renovação de canavial”, frisou.


Mercado

O empresário do ramo de aves e de suínos, Jayme Junior, destacou a importância de incentivar a produção de grãos em Alagoas, em especial, do milho. “O milho produzido no Estado tem evoluído muito. Temos produtores locais, mas também vieram outros de fora, trazendo novas tecnologias. Isso agregou bastante a produção do Estado. Estão sendo realizadas e aprimoradas experiências com as sementes. A cada ano, a evolução avança. Temos milho que qualidade excepcional com mais 99% de grãos bons. O mesmo ocorre com a soja. Isso tudo é fruto de um processo”, salientou.

Para ele, o profissionalismo dos produtores agrega ao segmento da proteína animal. “Afinal, para que ela possa ser produzida com tecnologia precisa de matéria prima com excelência e isso já está sendo produzido em Alagoas. Quando a gente tem toda a safra colhida no Brasil, começa a de Alagoas. Ganha quem produz e quem está consumido. Se Alagoas insistir neste segmento, não tenho dúvida que vai transformar o Estado que deve viver períodos de grande riqueza”, aposta o empresário.


Hibernon Cavalcante afirmou que grãos e cana não estão em competição no Estado
Hibernon Cavalcante afirmou que grãos e cana não estão em competição no Estado - Foto: Divulgação
 

Produtor gaúcho Alexandre Vecchia, ficou surpreso com o desempenho dos grãos plantados no Estado
Produtor gaúcho Alexandre Vecchia, ficou surpreso com o desempenho dos grãos plantados no Estado - Foto: Divulgação
 

Empresário Jayme Junior reforçou a alta qualidade do milho e soja produzidos em Alagoas
Empresário Jayme Junior reforçou a alta qualidade do milho e soja produzidos em Alagoas - Foto: Divulgação
 

Potencial

Para o pesquisador da Embrapa, Antônio Santiago, Alagoas teve um processo de evolução considerado rápido no que se refere a produção de grãos de forma geral. “No caso da soja, especificamente, já havíamos tentado anteriormente. Mas, agora ganhou um grande impulso. Nunca seremos um grande produtor de grãos, mas seremos um excelente produtor de sementes de soja. Temos todo um potencial e uma logística com questões geográficas e de plantio que é diferente das regiões tradicionais de soja. Temos muito o que avançar, mas com um potencial muito grande”, afirmou. 

De acordo com o pesquisador, a medida que se amplia a escala de produção, problemas surgem, mas o trabalho de melhoramento também avança. “São lançados novos materiais adaptados as regiões. Tanto em nível experimental, quanto comercial estamos tendo produtividade maior que a média nacional. Isso nos dá garantia e confiança a incentivar novos empresários rurais a utilizarem toda essa nova tecnologia”, reforçou.

Santiago também destacou o trabalho desenvolvido pela Embrapa em outras culturas, a exemplo do trigo adaptado para a região tropical com resultados preliminares promissores, além de outras opções como o grão de bico. “Estamos com esse trabalho de formiga que precisa se repetir sempre para se chegar aos resultados”, finalizou.

Solo e clima, além do uso de tecnologias, são fatores para os resultados positivos obtidos com a produção de grãos em Alagoas
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