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Setor rural alagoano tem operações de crédito recordes

Setor agropecuário foi o que mais demandou em 2020, consumindo mais de R$ 600 milhões em crédito rural. A aplicação foi importante para manutenção e ampliação das atividades dos produtores tradicionais, agricultores familiares, mini e pequenos produtores

Por Editoria do Gazeta Rural | Edição do dia 16/01/2021

Matéria atualizada em 15/01/2021 às 00h31

Os produtores rurais alagoanos conseguiram mais dinheiro para investir em suas produções em 2020. O setor foi o que mais demandou, por exemplo, entre as operações do Banco do Nordeste, consumindo 70% dos aportes da instituição. O segmento absorveu R$ 600 milhões entre os recursos ofertados pelo BNB e Banco do Brasil em Alagoas. 

Em um ano considerado histórico e com a agropecuária em alta, o recurso tem ajudado o setor rural a financiar as despesas de produção, investir em benfeitorias, tratores, máquinas e implementos agrícolas, além de comercializar sua produção.

Assim como foi destinado o auxílio emergencial para trabalhadores desempregados e comerciantes por conta da pandemia, os produtores também acessaram o recurso por meio do crédito emergencial. 

Segundo dados levantados pelo Gazeta Rural junto ao Banco do Nordeste e Banco do Brasil, a bovinocultura de corte foi a atividade que mais demandou as contratações de crédito em Alagoas, sobressaindo com 60% do total contratado por ambas as instituições. 

O balanço das operações também revelou maior participação do setor de grãos na briga por recursos, que triplicou o volume de financiamentos, somando R$9,7 milhões - fixando o crescimento em 300%. A avicultura, obteve aumento de 100% e a fruticultura contou com incremento de 50%.


Foram R$ 165,2 milhões aplicados do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf)
Foram R$ 165,2 milhões aplicados do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) - Foto: ARQUIVOS BNB
 

As operações do BNB somaram R$ 346 milhões em 30 mil operações de crédito, respondendo por um incremento de 3,5%. As maiores altas foram os contratos realizados com pequenos e mini produtores rurais (40%), seguidos pelos agricultores familiares (7,4%), aqui incluído o microcrédito rural, que registrou elevação de 12%.Na distribuição do crédito rural no território alagoano, o semiárido ficou com 41% do total desses recursos.

Para o superintendente Estadual do BNB em Alagoas, Sidinei Reis, o desempenho reflete a importância da agropecuária na economia do Estado, segmento que, “em que pese as dificuldades oriundas da pandemia, conseguiu crescer na participação do PIB do Estado, contribuindo para a sustentabilidade da economia local em um ano de crise”. 

Reis avalia ainda o desempenho do banco como fundamental para a fixação do homem no campo e geração de emprego e renda em áreas menos favorecidas. “Crescemos, especialmente, nas operações contratadas com os pequenos produtores e trabalhadores da agricultura familiar. Foram R$ 165,2 milhões aplicados do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), sendo R$ 147,4 milhões destinados aos microempreendedores rurais, atendidos por nosso Programa Agroamigo. Já os pequenos e mini produtores financiaram R$ 86,5 milhões”, detalha.

O gestor do BNB também destaca o incremento de operações de crédito nos segmentos agrícola e pecuário. “O segmento agrícola foi o que mais cresceu no âmbito do setor rural, atingindo 36% de incremento nos financiamentos, em relação à 2019. A pecuária manteve a tendência de alta dos anos anteriores e obteve 10% a mais nos valores contratados”, afirma.


Sidinei Reis afirma que o desempenho do agronegócio reflete a importância da agropecuária na economia do Estado
Sidinei Reis afirma que o desempenho do agronegócio reflete a importância da agropecuária na economia do Estado - Foto: ARQUIVOS BNB
 

Para Robson Oliver o processo de contratação ganhou mais celeridade em 2020
Para Robson Oliver o processo de contratação ganhou mais celeridade em 2020 - Foto: ARQUIVO PESSOAL
 

BB

A liberações de crédito para o agronegócio, por meio do Banco do Brasil, registou alta de 24%. O investimento, sobretudo, atendeu ao pequeno e o médio produtor, com mais de R$ 200 milhões aplicados nas linhas de crédito para custeio, investimento e comercialização agrícola e pecuário.

Outra parcela importante de produtores assistidos pelo apoio creditício do BB, segundo o gerente de mercado agro, Robson Oliver, foram os produtores inseridos no Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf). De acordo com o gerente, o processo de contratação ganhou mais celeridade em 2020.

“Contribuiu para o sucesso das operações a celeridade nas liberações. O banco está liberando financiamento de máquinas em dia. A demanda foi grande devido ao mercado estar aquecido e o fato do setor agrícola ter sofrido menos com a pandemia”, explicou.

O fator pandemia, segundo análise do gerente, demandou mais crédito rural para o pequeno produtor: “isso representa mais alimentos na mesa dos brasileiros. Vimos que a pandemia não parou o agro, e isso possibilitou segurança alimentar e ausência de crise de abastecimento”, avaliou.


Expectativa

A expectativa para 2021 é positiva, segundo o superintendente do BNB, Sidinei Reis. “Nossa expectativa é muito otimista. Temos feito algumas interlocuções com investidores, com pessoas que têm negócios a serem implantados. O ano de 2020 foi um ano de cautela, pautado pela manutenção e ampliação. O agro deve crescer. Para esse ano, há um movimento de implantação de novos negócios, retomada produtiva, mais tratativas no setor. Uma grande aposta é o programa agroamigo, que é um microcrédito orientado que obteve incremento de 12% no ano passado”, apontou.


Bovinocultura de corte foi a atividade que mais demandou contratações de crédito em Alagoas
Bovinocultura de corte foi a atividade que mais demandou contratações de crédito em Alagoas - Foto: ARQUIVOS BNB
 

Parceria

Um dos beneficiados com o crédito foi o produtor rural Flávio Amaral, que pratica a bovinocultura de leite na fazenda Mandacaru, localizada no município Major Izidoro, na bacia leiteira do sertão alagoano. Do segmento classificado como pequeno produtor, Amaral conta com a parceria do BNB nos mais de 30 anos de atividade e, ano passado, contratou o crédito para o custeio pecuário.

Em sua propriedade, que é referência no manejo agroecológico na região, são 150 animais, com produtividade de 3.500 litros de leite por dia. Flávio chama a atenção para o apoio do Banco e a importância do crédito, principalmente para viabilizar a atividade de forma diferenciada e com respeito ao meio ambiente. “O Banco está com a gente desde o início. O sertão é fértil, desde que utilizemos as técnicas corretas e que respeitemos a natureza. É sobre aprender a lidar com tudo o que ela pode oferecer e não esgotar os recursos desordenadamente”, ressalta.

Além da bovinocultura leiteira, há o cultivo da tradicional palma, utilizada na alimentação dos animais, e leguminosas que auxiliam na renovação dos nutrientes do solo e destinadas ao consumo interno. Todo o material orgânico é devolvido à natureza na forma de fertilizantes preparados na própria fazenda, assegurando baixo custo e melhor qualidade dos insumos.

Foram R$ 165,2 milhões aplicados do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf)
Sidinei Reis afirma que o desempenho do agronegócio reflete a importância da agropecuária na economia do Estado
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Bovinocultura de corte foi a atividade que mais demandou contratações de crédito em Alagoas

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